Maria Antónia Costa Santos


Pintura, Escultura ... 76 Assinantes Usuário desde 2006
Lisbonne, Portugal

Voltar para a lista Adicionado dia 29 de mar. de 2006


A PINTURA POR SI PRÓPRIA - texte de Rodrigues Vaz

Descobrindo novas texturas quer pela utilização de várias camadas de óleo quer pela integração de bocados de tecido e outros materiais,Maria Antónia Santos está a depurar a sua inicial linguagem já de si despojada e marcada por silhuetas sugeridas pelos volumes, no caminho da investigação da noção de limite e do espaço pictórico leveda por um subconsciente emocional e vivencial, que se deixa nitidamente sentir na hora de compor os seus quadros.
Essencialmente variações sobre dois temas principais - frutos e personagens do quotidiano (seu) - as suas pinturas acabam por apresentar-se como a amortização de uma ideia largamente manejada, em que as figuras começam a ceder lugar aos sígnos e estes a converterem-se em símbolos ambíguos, em meras estruturas polivalentes, sobre fundos muito cuidados.
Preenchendo os espaços com cores definidas, na maior parte das vezes contrastantes entre os tons frios e as notas quentes, onde o branco actua como sinal purificação e de contraponto, esta exposição marca uma evolução estilística na obra de Maria Antónia Santos, que aqui se sente numa nítida fase de transição, caracterizada principalmente por uma maior redução de formas, pela simplificação da expressão e por um distanciamento em relação à obra de arte como espectáculo, como objecto que deve ser fruído provocando emoções.
Pintura por si própria, mesmo quando deixa o pequeno formato e se sente a expandir-se no espaço, é também essencialmente uma pintura matérica, apesar do seu construtivismo. Os frutos e as personagens são desenhados quase no estilo hiperrealista, com simplicidade, mas com rigor e, sobretudo, com amor, parecendo, às vezes, a intervenção de um arquitecto que desenha a utopia para compor elementos que alternem a realidade com a fantasia. Mas, se a pintura aparece feminina em todos os sentidos, a tapeçaria que apresenta integrada nesta mostra é-o ainda a mais níveis, pela delicadeza quase barroca das suas composições, pelo rigor da execução e pela simplicidade da sua apresentação. Cheia de suavidade e frescura, tal como a pintura, atesta definitivamente Maria Antónia Santos como uma criadora artística em cujo nome devemos atentar e cuja carreira devemos seguir.

Rodrigues Vaz

 

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