Entrevista | Larisa Ruy: Cheguei à arte não por meio da educação acadêmica clássica

Entrevista | Larisa Ruy: Cheguei à arte não por meio da educação acadêmica clássica

Olimpia Gaia Martinelli | 24 de mai. de 2025 8 minutos lidos 0 comentários
 

" Fui inspirada por uma busca interior por uma linguagem verdadeira para expressar as experiências e emoções que as palavras não conseguem conter. Desde a infância, percebo a arte como um espaço vivo para uma profunda exploração emocional e psicológica. Isso me levou a criar minha própria técnica, combinando pintura a óleo, douramento e baixo-relevo. "...

O que inspirou você a criar arte e se tornar um artista? (eventos, sentimentos, experiências...)

Fui inspirada por uma busca interior por uma linguagem verdadeira para expressar as experiências e emoções que as palavras não conseguem conter. Desde a infância, percebi a arte como um espaço vivo para uma profunda exploração emocional e psicológica. Isso me levou a criar minha própria técnica, combinando pintura a óleo, douramento e baixo-relevo. Minha jornada na arte abrange mais de 15 anos de trabalho com forma, simbolismo e profunda profundidade emocional. Para mim, criatividade não é uma profissão — é uma maneira de estar no mundo e tocar o que é verdadeiramente real.

Qual é sua formação artística, as técnicas e os temas que você experimentou até agora?

Cheguei à arte não por meio de uma formação acadêmica clássica, mas por meio de uma profunda jornada pessoal e conhecimento profissional. Sou formada em Pedagogia (NPU, em homenagem ao MP Drahomanov), em Gestão de Pessoas (MAUP) e concluí estudos de pós-graduação na NUBiP da Ucrânia. Além disso, concluí diversos cursos individuais certificados em psicologia, terapia existencial e programação neurolinguística (PNL), que se tornaram uma base importante da minha prática criativa. Há mais de 15 anos, venho desenvolvendo minha própria técnica artística, combinando pintura a óleo, douramento e baixo-relevo em um estilo simbólico multifacetado. Em meu trabalho, exploro temas de transformação interior, emoções profundas e forças invisíveis que mudam espaços e influenciam a consciência. Para mim, a arte não é apenas uma profissão — é uma maneira de estar exatamente onde pertenço neste mundo.

Quais são os 3 aspectos que diferenciam você de outros artistas, tornando seu trabalho único?

O que diferencia meu trabalho é o simbolismo profundo e o impacto emocional holístico que ele exerce tanto no observador quanto no espaço. Em minhas pinturas, não há elementos aleatórios — cada textura, cada linha e cada tom carrega um significado intencional. Trabalho com os níveis consciente e subconsciente da percepção, criando espaços que despertam emoções profundas e ressonância interior. Minha técnica é simplesmente uma ferramenta para transmitir significados multifacetados, onde luz, cor e forma se tornam portadores vivos de símbolos.

De onde vem sua inspiração?

A inspiração chega até mim através de uma profunda prática interior — Kundalini yoga, oração, presença e silêncio. Não são imagens que invento, mas visões completas que chegam como respostas. Nesses momentos, não apenas vejo a obra — sinto claramente como ela deve ser criada, tanto técnica quanto energeticamente. Minha transformação pessoal abre um espaço de conhecimento que não pode ser acessado de fora. Cada uma das minhas obras de arte é o resultado de um processo interno, não apenas uma decisão criativa.

Qual é a sua abordagem artística? Que visões, sensações ou sentimentos você deseja evocar no espectador?

Minha abordagem artística baseia-se na transformação interior. Cada obra nasce de um profundo processo pessoal — o resultado do confronto e da integração de aspectos negativos dentro de mim. Por meio dessa alquimia interior, a pintura torna-se portadora de um estado purificado — presença, clareza e equilíbrio interior. Procuro transmitir esse estado ao observador ou colecionador, para que a obra de arte atue não apenas como um objeto visual, mas como um campo vivo que influencia o espaço interior. Meu objetivo não é retratar emoções, mas evocar uma mudança — em direção à quietude, à força e a um retorno ao que é essencial.

Qual é o processo de criação das suas obras? Espontâneo ou com um longo processo preparatório (técnico, inspiração em clássicos da arte ou outros)?

Meu processo criativo combina espontaneidade com uma lógica interna profunda. Frequentemente trabalho em várias pinturas simultaneamente, cada uma delas um objeto de arte independente, com presença e significado próprios, sem conexão direta com a narrativa. No entanto, em um nível mais profundo, minhas obras estão energeticamente conectadas — elas continuam, complementam ou completam um determinado processo interno. Isso me permite transmitir estados complexos e multifacetados que não podem ser capturados em uma única obra.

Você usa alguma técnica de trabalho específica? Se sim, pode explicá-la?

Explorei diferentes técnicas para encontrar a maneira mais adequada de expressar estados emocionais profundos. Como resultado, desenvolvi minha própria abordagem baseada na combinação de baixo-relevo, pintura a óleo e douramento. Quando quero transmitir energia, poder e força expressiva, trabalho com baixo-relevo e textura. Quando o foco está na imersão interior profunda, utilizo pintura a óleo e delicados vidrados multicamadas. Cada escolha técnica em meu trabalho serve ao propósito de transmitir o estado emocional e energético preciso pretendido para cada peça.


Há algum aspecto inovador no seu trabalho? Pode nos contar quais?

O aspecto inovador do meu trabalho reside principalmente na construção estilística da composição. Crio minhas peças com base em uma noção interna de espaço, símbolos e foco emocional, em vez de seguir as regras acadêmicas clássicas. A técnica — uma combinação de baixo-relevo, pintura a óleo e douramento — apoia e aprimora essa abordagem. Todas as ideias para minhas pinturas vêm do subconsciente; não utilizo referências externas, imagens emprestadas ou soluções prontas. Cada obra é uma manifestação direta da experiência e do estado interior.

Você tem um formato ou meio com o qual se sente mais confortável? Se sim, por quê?

Sinto-me mais confortável quando tenho meu próprio espaço criativo e a liberdade de administrar meu tempo de acordo com meu ritmo interior. Isso é essencial para mim, pois o processo artístico exige silêncio interior, liberdade e períodos de autorrenovação. Somente nessas condições posso trabalhar profundamente e criar peças que carreguem significado e energia reais.

Onde você produz suas obras? Em casa, em um ateliê compartilhado ou no seu próprio ateliê? E nesse espaço, como você organiza seu trabalho criativo?

Trabalho em meu estúdio particular em casa. É importante para mim ter um espaço pessoal onde eu possa me concentrar e permanecer conectado ao meu processo criativo interior. Organizo meu tempo de trabalho de forma independente e crio quando sinto força, energia e prontidão interior. Essa abordagem me permite preservar a profundidade e a autenticidade de cada peça que produzo.

Seu trabalho te leva a viajar para conhecer novos colecionadores, para feiras ou exposições? Se sim, o que isso te traz?

Antes da guerra, eu frequentava regularmente eventos de arte pública e participava de exposições e leilões beneficentes. Em particular, eu apresentava minhas obras anualmente no Leilão Beneficente de Kamaliya. Conhecer colecionadores e participar desses eventos me permitiu expandir minha rede de contatos e entender melhor o impacto emocional da arte nas pessoas. No entanto, devido aos constantes ataques e riscos à segurança, essa oportunidade se tornou significativamente limitada hoje.


Como você imagina a evolução do seu trabalho e da sua carreira como artista no futuro?

Talvez minhas palavras possam soar ousadas, mas sinto genuinamente que minhas pinturas têm seu próprio destino e, com o tempo, serão apresentadas em grandes leilões internacionais. Na minha experiência, minhas obras frequentemente encontraram seu próprio caminho — aparecendo em capas de revistas, entrando para coleções de pessoas famosas e alcançando novos proprietários sem uma promoção agressiva. Minhas pinturas vivem por suas próprias leis internas, e estratégias simples de marketing não se aplicam a elas. Elas encontram aqueles que estão prontos para ouvir sua verdadeira história.

Qual é o tema, estilo ou técnica da sua última produção artística?

O tema dos meus trabalhos mais recentes não se limita a uma forma específica — para mim, o aspecto mais importante é a energia do símbolo, que pode se manifestar em qualquer imagem. Sou particularmente atraído por seres vivos — pássaros, peixes e pessoas. Através do olhar deles, uma presença especial emerge: eles parecem ganhar vida na tela e continuam a olhar para o espaço ao seu redor, criando uma sensação de interação silenciosa. As flores também ocupam um lugar especial no meu trabalho — elas fazem parte da minha herança genética, pois descobri recentemente que minha avó costumava pintar flores onde quer que pudesse. Para mim, cada símbolo importa não pela sua forma, mas pela energia e significado que carrega.

Você pode nos contar sobre sua experiência mais importante em uma exposição?

Minha experiência expositiva mais importante foi minha primeira exposição individual, "Rai" ("Paraíso"), realizada em 2011 em Kiev com o apoio da Fundação para a Promoção das Artes da Ucrânia. A exposição foi idealizada por um crítico de arte que, após ver minhas obras, propôs não apenas organizar a exposição, mas também criar um catálogo. Essa experiência aconteceu quase sem minha iniciativa direta — parecia que o próprio espaço me impulsionava para uma realidade criativa. Naquela época, eu não tinha planos de dedicar minha vida à arte: eu tinha dez anos de experiência em gestão e muitos anos de prática psicológica. No entanto, a exposição "Rai" marcou o início de um capítulo completamente novo — um retorno ao meu verdadeiro eu através da arte.

Se você pudesse criar uma obra famosa na história da arte, qual escolheria? E por quê?

Eu não aspiraria a criar nenhuma obra famosa da história da arte. Para mim, toda obra de arte verdadeira carrega a energia, a experiência e o mundo interior de seu criador. Reproduzir a energia de outra pessoa me parece antinatural. Como artista, meu propósito não é repetir a visão de outra pessoa, mas criar meu próprio espaço e presença por meio da arte.

Se você pudesse convidar um artista famoso (vivo ou morto) para jantar, quem seria? Como você sugeriria que ele passasse a noite?

Seria um café com Van Gogh — para identificar os marcadores subconscientes que desencadearam seus momentos de genialidade, já que estudei PNL por dois anos 🙂. Não me interessa o mito; me interessa o mecanismo. Aquela borda onde a imagem ainda não se formou, mas algo lá dentro já começou a se mover — é isso que eu gostaria de entender.

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