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1 de abr de 2018
LEONARDO DA VINCI - BIOGRAFIA - Nicéas Romeo Zanchett Comentários


LEONARDO DA VINCI 

BIOGRAFIA 

              No dia 115 de abril do ano 1452, o velho notário Messer Antônio Da Vinci escrevia no livro, onde era uso assinalar, todos os dias, os eventos da família - (um diário): "Nasceu um neto meu, filho de Ser Piero, meu filho, e recebeu o nome de Leonardo."

              Muitos anos mais tarde, após a morte de Leonardo Da Vinci, ocorrida em 4 de maio de 1519. GiorgioVasari podia escrever no livro "Vidas dos pintores e dos arquitetos célebres": "Realmente, o céu nos manda, às vezes, homens que não representam apenas a humanidade, mas a própria divindade..."

               Entre essas duas datas, entre esses dois escritos, está contida a vida maravilhosa do mais multiforme gênio que já teve a humanidade. 

               Embora fosse filho ilegítimo, nascido de uma certa Catarina, criada de estalagem, Leonardo encontrou, na família Da Vinci, amor e consideração. O menino cresceu belo, inteligente, mas meio esquisito. Aprendeu a ler e a escrever com a avó paterna, e com Monna Albiera degli Amadori, que Messer Piero havia desposado, logo após o nascimento de Leonardo; a seguir, teve ótimos mestres, os quais se encontravam por vezes embaraçados com as agudas perguntas que aquele precoce escolar lhes dirigia. A matemática apaixonava Leonardo tanto quanto o desenho, e sua linguagem, clara e precisa, parecia provir mais de um homem do que de uma criança. Desenhava e escrevia, indiferentemente, tanto com a mão direita como com a esquerda; mas preferia fazê-lo em sentido oposto ao comumente usado, tanto que, para ler seus escritos, servia-se de um espelho, no qual a página refletida resultava clara e regular. Usaria este método para manter secreta ou, pelo menos, tornar difícil a leitura de suas páginas? Talvez sim, se pensarmos quanto foi sempretão fechada e misteriosa a alma de Leonardo. 

               Mas, dentro daquele temperamento introvertido, bailavam sonhos imensos e floresciam pensamentos gentis. 

               A família Da Vinci, nesse ínterim, mudara-se para Florença. Eram os tempos do máximo esplendor artístico para a cidade, na qual os mais excelsos engenhos trabalhavam e criavam obras imortais. 

              Sem que ninguém soubesse, o adolescente Leonardo modelava, na argila, figuras humanas e animais, que depois tomava como modelo para traçar desenhos repletos de detalhes exatos e minuciosos. Mas não se limitava a isto a secreta atividade de Leonardo. Sobre certos livrinhos encadernados em vaqueta, ele ia fixando estudos e projetos para modelos de alavancas e cabrestantes, para arquitetura de edifícios, para escavações destinadas a canais de irrigação, para mecanismos úteis na arte de tecer. 

                Um dia, o pai de Leonardo conseguiu apoderar-se de um desenho executado pelo filho, em branco e negro, com a ponta do pincel, e zelosamente ocultado de todos. A Ser Piero aquilo pareceu muito bonito, mas, receando julgá-lo e vê-lo através do seu afeto paterno, levou-o a um dos mais famosos artistas que viviam então em Florença; Andrea de Cione, conhecido como "Il Verrocchio". O resultado foi o jovem Leonardo entrar para a escola de Verrocchio e ali permanecer vários anos, deixando o mestre maravilhado, o mesmo acontecendo com seus colegas, dada a versatilidade com que sabia passar da pintura à escultura e brilhar em ambas. Mas, pintura e escultura não afastavam Leonardo de outras artes nem de outros estudos. Aprendeu música, e compôs graciosos motivos, que cantava, acompanhando a si próprio a lira e deliciando a quem o ouvisse. Todavia, aquilo que lhe absorvia grande parte do tempo era o estudo da física e da mecânica, nas quais não tinha ninguém por mestre, mas em que se engolfava, atraído por uma irresistível predileção e impelido pela peculiaridade de seu cérebro especulativo e ávido de saber. O mistérios dos astros, a virtude das ervas, o voo dos pássaros, toda manifestação da natureza tentava e atormentava o pensamento do jovem Da Vinci, que, com apenas vinte anos, fora matriculado, na qualidade de pintor, e inscrito no registro da Companhia de Arte de São Lucas, reconhecimento insigne, que o tornava homem emancipado e mestre. 

             Leonardo aproveitou a oportunidade desse reconhecimento para is viver sozinho. Em casa de seu pai, já se haviam sucedido nada menos que três esposas, que Ser Piero desposara uma por uma, porque a morte parecia dar preferencia às mulheres que com ele se casavam.  E tinham surgido nada menos do que dez irmãos e irmãs de Leonardo. "Se você estiver só, tudo será seu", estava escrito num dos canhenhos deixados por Leonardo, entre anotações de máximas e sentenças. Ele desejava viver só para que nada viesse perturbá-lo em seus estudos e pesquisas, que continuavam sem cessar. Leonardo sabia amalgamar arte e ciência em um único amor, em manifestações concordes. Os lagartos, serpentes, gafanhotos e grilos, animais que ele apanhava para estudos, serviram-lhe, certo dia, para pintar uma horrenda cabeça de medusa, com tanto realismo que essa imagem parecia, na verdade, uma infernal criatura viva. 

                 Mas seus estudos, sua vida um tanto singular, certas suas manifestações de incomum sabedoria, atraíram para cima de Leonardo a acusação de feiticeiro e herege. Apesar das maravilhosas pinturas sagradas que saiam de seu pincel, apesar de não existir qualquer ato menos honesto, o artista foi processado. Foi absolvido, mas a amargura derivada da injusta acusação induziu-o a afastar-se de Florença. Leonardo mudou-se para Milão, para junto de Ludovico Sforza, denominado "Il Moro", ao qual ofereceu seus serviços. 

                 A corte dos Sforza superava certamente em esplendor a dos Médicis, que dominavam então Florença, e ali Leonardo encontrou ambiente e recursos adequados a favorecer o desenvolvimento de sua multiforme e genial atividade. Retratos e fidalgas, a estátua equestre de Francesco Sforza, pai de "Il Moro", máquinas de guerra, alfaias espetaculares e estupefacientes mecanismos para defesa do ducado, sempre exposto a ataques de inimigo. Mas Ludovico "Il Moro", apreciava, acima de tudo, as invenções de Leonardo, que pudessem garantir aquela defesa. 

                O artista florentino, todavia, não punha à mostra todos os resultados de seus estudos. Especialmente o desenho de uma máquina, por ele criada, permaneceu em completo segredo. E, sobre o mesmo papel, está esrito, de próprio punho de Leonardo: "Se não torno público meu sistema de caminhar em baixo da água durante muito tempo, sem alimentar-me, é por causa da maldade dos homens, que disso se serviriam para assassinar nas profundezas dos mares, abrindo brechas nos navios e afundando com suas tripulações."

        O submarino, ideado por Leonardo Da Vinci, permaneceu desconhecido, por sua vontade, aos seus contemporâneos, mas pertence a Leonardo o m´rito de haver sabido imaginá-lo e desenhá-lo, num século em que a pobreza dos estudos sobre a mecânica e a falta de meios propulsores impediam ainda aos estudiosos até mesmo sonhar com semelhantes possibilidades de navegação. 

                Mas o intelecto de Leonardo costumava livrar-se por todos os recantos do Universo, num invencível desejo de conhecer tudo. Conhecer o espaço imenso que circunda a terra, vê-lo, transpô-lo, voar... A mais longínqua lembrança permanecida na mente de Leonardo desde sua remota infância, era a de um estranho sonho que tivera. Leonardo sonhara, quando criança, e nunca mais esquecera, com um enorme pássaro que, voando por sobre sua pessoa, batia-lhe repetidamente com a cauda na boca. Agora, que já era homem, percebia naquele sonho como que um presságio do destino, uma ordem para desvendar algo em que a humanidade ainda nem pensava: voo humano! Deveria existir um meio qualquer de imitar as asas que permitem aos pássaros erguer-se do chão e vagar à vontade pelo ar. 

               Leonardo dedicou-se a estudos meticulosos e pacientes, a cálculos habilíssimos; traçou projetos sobre projetos; idealizou um aparelho no qual o homem, deitado, poderia fornecer a força necessária para erguer-se do solo e dirigir-se; as asas seriam movidas pelos braços e, o leme, pelo pescoço. Sonhos, tentativas, pesquisas secretas, que, porém, não impediam a Leonardo de realizar admiráveis obras artísticas. Na igreja de Santa Maria das Graças, em Milão, ele pintou esse admirável afresco: a Última Ceia". A estátua equestre de Francisco Sforza, obra mastodôntica e soberba, foi por ele executada e posta diante do castelo habitado pelo duque, à espera de ser fundida em bonze, o que, devido à má vontade de "Il Moro", jamais se verificou. 

                  Mas, tempos bem duros e tristes se aproximavam! O rei da França, Luiz XII, reivindicou direitos sobre o ducado de Milão, pois ele tinha algumas gotas de sangue lombardo nas veias, oriundas de Valentina Visconti, que desposara em Orleans. E tais direitos ele os quis fazer valer invadindo a Itália à testa de um exército. Em breve, os invasores estavam de posse de Milão, e a cidade sofreu saques e violências de toda sorte. E, também a bela estátua de Francesco Sforza, modelada por Leonardo, foi perdida, pois serviu de tiro ao alvo para os soldados gascões. Leonardo refugiou-se, a princípio, em Veneza, depois regressou a Florença, onde se dedicou, ainda, a edificar magníficas residências para os ricos mercadores que lhe encomendavam. Mas esse foi um período de contínua mudanças e muito breves paradas. Leonardo parecia impulsionado por uma irrequieta inconstância; mas, talvez fosse apenas a precariedade de seu próprio destino, que o incitava a procurar, aqui e acolá, uma estável morada. Naqueles tempos, ele esteve sempre acompanhado pelos seus discípulos prediletos: Salaino, Marco, d'Oggiono e Beltraffio, que o seguiam desde Milão.Por encomenda de César Bórgia (o duque Valentino), inspecionou, na qualidade de arquiteto e engenheiro geral, todas as fortalezas de estado pertencentes àquele príncipe e se viu envolvido na guerra, naquilo, isto é, a que ele chamava "matta bestialitate". Em seguida, foi de novo para Florença, onde, entre outras obras, pintou o retrato de Madonna Lisa del Giocondo, essa pintura admirável, de que Vasari diz que não foi feita de cores, mas sim da própria carne, tal sua impressão de realidade. 

               Os Médicis foram expulsos do poder de Florença e o magistrado-chefe da república, que lhes sucedeu, incumbiu Leonardo de reproduzir o episódio da batalha de Anghiari, na sala do Conselho maior no Palácio Vecchio. O soberbo afresco executado por Leonardo acabou, porém, em ruínas, devido ao estuque que devia fixar para sempre as tintas; talvez porque Leonardo quisesse manipular com alguma sua secreta receita o próprio estuque, ou talvez porque o fogo aceso por baixo não fora suficiente para fixar no mesmo instante o estuque, que acabou caindo por cima da parte baixa da pintura, arruinando-a irremediavelmente. 

              Antes, a destruição da estátua de Francesco Sforza, em Milão, depois, a irremediável perda do afresco do Palácio Vecchio, mas ambos não conseguiram impressionar demasiado Leonardo Da Vinci. Ele possuía um estranho temperamento, misto de impulsos e apatias. Além disso, sua mente estava sempre voltada para muitas e multiformes atividades. Dai, quando uma delas lhe proporcionava motivos de amargura, logo se voltava para outras. E assim aconteceu também desta vez. O problema do voo obsessionava-o. Por algum tempo, ele se dedicou exclusivamente a tal estudo; todavia, ninguém jamais conseguiu saber se Leonardo chegou a construir uma verdadeira "máquina volante", se a experimentou no pico do Monte Ceceri, perto de Fiésole, como fazem supor algumas referências encontradas em seus escritos. Contudo, restam desenhos e projetos minuciosos, que denotam o engenho precursor do artista. 

                Leonardo, agora já no declínio dos anos, foi chamado novamente a Milão, em 1507, pelo rei Luiz XII, que ainda ali dominava. E Leonardo teria retomado serenamente o trabalho na cidade que amava como sua segunda pátria, se uma série de intrigas não o tivesse aborrecido. Os irmãos  negavam-lhe o gozo da casa paterna dos Vinci, a ele deixada em vida por um irmão do pai, que falecera. Leonardo foi obrigado a regressar a Florença e promover um processo judiciário, que, aliás, venceu com facilidade. A alegria desta vitória, porém, foi amargurada pelo notícia da morte de Lisa del Giocondo, a belíssima e gentil "madona", que Leonardo talvez amara no segredo de seu enigmático coração. Dela só restava a imagem, a "Gioconda", o mais célebre e admirado quadro que mãos humanas puderam criar. Leonardo voltou para a Lombardia e mergulhou ainda mais em seus estudos, especialmente de física e anatomia. A guerra deflagrada entre o Estado da Santa Liga e a França obrigou Leonardo a sair outra vez de Milão. Desta vez foi para Roma, que era, realmente, o centro intelectual do mundo. Ali ele esperava encontrar tranquilidade e trabalho profícuo, e assim teria acontecido, não fossem as picuinhas de invejosos e rivalidades de artistas, que tanto o contrariaram a ponto de formularem uma denúncia contra ele, acusando-o de esquartejar e profanar cadáveres. Efetivamente, Leonardo ia sempre aos hospitais, a fim de realizar seus estudos prediletos de anatomia, mas, para isso, obtivera a necessária licença do Sumo Pontífice. A acusação, contudo, obteve o efeito de ser revogada tal concessão. 

                  Agora, a existência de Leonardo era sempre mais obscurecida por mágoas e amargores. Um mal persistente e implacável atacou o artista, uma paralisia que lhe imobilize progressivamente o braço e a perna direita. O artista podia ainda desenhar e escrever com a outra mão, mas não pintar, pois sempre usara o pincel na mão direita. O fatal declínio dos anos começava a pesar inexoravelmente na atividade de Leonardo. Mas era uma atividade ainda muito procurada, tanto que o novo rei da França, Francisco I, ambicionou ter junto de si o velho Da Vinci. 

               - "Mom pére, venha à minha corte..." - - Pediu o rei. Leonardo obedeceu, e foi nomeado mestre de todas as artes e ciências; deram-lhe o castelo de Cloux, nas proximidades de Ambroise. E, naquelas doces colinas junto ao Loire e tão semelhantes às de sua nativa Toscana. Leonardo viveu feliz e sossegado durante três anos. 

               - "Assim como um dia bem aproveitado proporciona agradável dormir, uma vida bem empregada pode fornecer um agradável morrer." - escrevera, certo dia, o artista. E seu fim foi realmente um sereno apagar-se da chama vital, na noite de 3 para 4 de maio de 1519. Ao discípulo Francisco Melzi, que o seguira e dele cuidara com carinho filial, Leonardo deiou como herança seus manuscritos, divididos em códigos, álbuns, canhenhos, verdadeiros tesouros de sabedoria, de experiência, de intuição e de clarividência, que ainda hoje causam admiração aos estudiosos que os manuseiam. Leonardo foi enterrado em Ambroise, mas seus ossos foram, mais tarde, extraviados. Contudo, sua fama ainda paira por todos os espaços do globo terrestre. Já se passaram séculos, e o imortal sorriso da "Gioconda" ainda está Intacto, e as observações do "cientista" Da Vinci servem sempre de modelo e de texto para o estudo da Anatomia e da Física. Leonardo Da Vinci foi, inegavelmente, um gênio universal e um grande precursor.


OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE O ARTISTA

 "... e havia naquele engenho tanta graça de Deus e uma demonstração tão terrível, aparelhada com o intelecto e a memória que o serviam, e com o desenho da mão sabia exprimir tão bem seu conceito, que com o raciocínio vencia e com a razão confundia qualquer galhardo engenho"  (Da vida de Leonardo, de G. Vasari).

Leonardo Da Vinci nasceu na aldeia de Anchiano, em Vinci, no ano de 1452.

Muito jovem ainda, pintou um quadro, representando sapos e cobras; o pai, ao entrar no quarto, assustou-se, à vista dos anomais, tanto estes pareciam verdadeiros.

Sr. Pietro, ao ver a habilidade do filho, levou-o à presença de Andrea del Verrochio, hábil em todos os ramos da arte, o qual possuía um famoso atelier em Florença. 

A vida estranha e misteriosa, seu profundo saber em todas as artes, granjeavam a Leonardo a fama de feiticeiro e herege (que representava um agrande risco na ápoca). O artista foi processado, mas, nada se positivando contra ele, foi absolvido. 

Amargurado, Leonardo mudou-se para Milão, indo para a corte de Ludovico, "Il Moro", mas escreveu, em suas anotações, antes de deixar Florença: - "Eu me orgulharei sempre de ser Leonardo Da Vinci, florentino!"

Em 6 de setembro de 1499, o exército francês entrava na cidade de Milão, e, depois de onze dias de luta, ocupava o castelo, lá abandonado por Ludovico, il Moro, e pela corte.

Os vencedores respeitaram a pessoa de Leonardo, contudo, as desordens daquele turbulento período induziram o artista a partir, á noite, de Milão, com seus  fiéis discípulos. 

Depois de vários dias pelas cidades de Mântua, Veneza e Florença, Leonardo passou ao serviço de Cesar Bórgia, na qualidade de engenheiro militar. 

O duque Valentino estava, então, ocupado nas campanhas da Romanha. Leonardo projetou  máquinas de guerra e fortificações que facilitaram, ao Bórgia, a conquista da Romanha, e, entre outras coisas, dirigiu os trabalhos para o porto-canal de Cesenatico. 

Uma das obras-primas de Leonardo é  a Vigem das Rochas - Museu Nacional do Louvre, Paris.

Mona Lisa del Gocondo foi a inspiradora de Leonardo para o maravilhoso quadro que todos conhecem pelo nome de "Gioconda" ou Mona-Lisa. Dizem que o artista, para fazer surgir no rosto da moça aquele famoso sorriso, procurou distraí-la com o  auxílio de Jograis e bufões. 

Em 1503, Leonardo e Michelangelo Buonarroti foram incumbidos de pintar uma cena da história de Florença, na sala do Grande Conselho. Leonardo escolhera por tema a "Batalha de Anghiari" de 1440 e, para traduzir em pintura o desenho da parede da sala, experimentou um novo método de colorir que, infelizmente, deu mau resultado. Ele era um inventor e estava sempre procurando novas formas de fazer as coisas.

Intenso foram os estudos de Leonardo sobre o voo dos pássaros. O artista queria realizar o voo humano -  desenhou e construiu máquinas que corresponderam a esse objetivo. O Monte Ceceri parecia-lhe o local mais adequado para tentar a grande experiência, que devia "inundar o universo de espanto"; todavia, de seus escritos não se nota confirmação dessa tentativa. 

Velho e enfermo, |Leonardo estabeleceu-se em Florença, chamado pelo rei Francisco I, que pagava ao artista um ordenado de 700 escudos anuais e deu-lhe o castelo de Cloux, na cidade de Ambroise. 

Em 4 de maio de 1519, Leonardo da Vinci, o gênio multiforme, que abrira novos campos a todas as artes, apagava-se, na calma de Ambroise, assistido pelo fiel discípulo Francesco Melzi. 


Nicéas Romeo Zanchett 

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Artmajeur Leonardo Da Vinci - Biografia Niceas Romeo Zanchett

 

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29 de mar de 2018
ALMEIDA JÚNIOR Comentários


              Almeida Júnior foi o maior poeta da pintura brasileira. Não há quadro seu que não esteja impregnado de sabor da terra-roxa e da mata virgem. Esse provinciano, simplório no trajar, esse caipira forte, quase imberbe, esse caboclo autêntico, concentrou em si todo o lirismo da terra e dos atavismos remotos e reverteu-o em forma que são o símbolo de uma raça. 

             Em 8 de maio de 1850, na tradicional cidade de Itu, teatro de tantos acontecimentos históricos e berço de varões ilustres, nascia José Ferraz de Almeida Júnior, aquele que seria o mais brasileiro dos pintores brasileiros. Era filho de José Ferras de Almeia e de D. Ana Cândida do Amaral Souza. 

             Seu pai também tivera queda para a pintura, mas não conseguiu triunfar, por isso sempre dizia, ao ver a inclinação do menino pela arte, que aquilo que lhe faltara, haveria de sobrar no filho. E eram palavras proféticas, pois, desde seus mais tenros anos, Almeida Júnior andava às voltas com lápis e procurava retratar a mãe, seu modelo favorito, arriscando-se também a desenhar "naturezas mortas", estimulado pelo pai, que o deixava à solta pelos campos, para que ficasse em constante contato com a paisagem, fonte que eleva e inspira os artistas. Na escola, frequentemente, o menino era advertido pelo professor, por estar entretido em "pintar" o perfil de um colega ou algum ângulo de janela, de onde se vislumbravam os campos e os montes da serra do Japi. Preferia ir caçar ou pescar, em contato íntimo com a natureza, relegando a escola a segundo plano.

              E assim passou ele a infância, pouco aplicado aos estudos, "matando" aulas, mas com o pensamento firme na sua vocação, na sua grande paixão: a pintura. E, ao tornar-se moço, os pais não encontram outra saída. Arranjaram-lhe, com parcas economias, uma pensão. que permitiu ao filho matricular-se na Academia Imperial de belas Artes, no Rio de Janeiro.

             Corria o ano de 1869. Almeida Júnior estava com 19 anos. Ali, entre colegas alegres, brincalhões, logo se destacou pelo seu tipo acanhado, introvertido, pouco amigo de conversas. Foi apelidado de mudo. Nada, porém, o distraia, pois só pensava nos estudos. Os estudantes resolveram pregar-lhe uma peça. Obriga-lo-iam a falar. Certo dia, agarraram-no e carregaram-no em triunfo, pondo-o sobre uma mesa e exigindo que discursasse. Almeida Júnior nem com isso perdeu a calma e, após cessar a algazarra, pronunciou apenas estas palavras: "Eu não falo para não errar."

               Era uma verdade, pois o caipira de São Paulo se sentia constrangido entre aqueles folgazões. Estes, apesar de tudo, eram bons rapazes; compreenderam a sinceridade do jovem provinciano e deixaram-nos em paz. Ezequiel Freire assim descreveu seu amigo pintor:  "Almeida Junior possui feições acentuadas, a que a extrema enérgica mobilidade dos músculos dá uma original expressão inteligente, negros cabelos, oleosos e corredios, olhos pardos e brilhantes;pele morena firme, luzente, barba escassa, estátua mediana, atitudes curvilíneas, marcha ondulante e ritmada; na simpática figura de Almeida Júnior, parecem fundidos, em natural harmonia e definitivo equilíbrio, os múltiplos elementos étnicos que concorreram para a constituição da nossa raça."

               Almeida Júnior trajava-se da maneira mais simples possível. Roupas com seu temperamento retraído de roceiro, com seu linguajar pitoresco, regional. À primeira vista, produzia uma impressão desagradável, pois suas sobrancelhas espessas, cenho franzido, davam-lhe o aspecto de homem colérico. Logo, porém, com a convivência, tal impressão desaparecia. 

                Era excelente fisionomista. Ainda aluno, chegou a pintar de memória, o retrato de seu colega de quarto, mais tarde médico, João Batista de Castro Andrade. Foi também grande retratista, como atestam os retratos de  Cesário Mota, Bernardino Campos, Peixoto Gomide, Cerqueira César e outros, existentes na Pinacoteca de São Paulo. 

                Na Imperial Academia, teve por mestre de desenho Júlio d Chevrel de belo coração, atraído pelo Brasil tal como seus patrícios da Missão Artística de Lebreton, aqui chegada em 1816. Chevrel, longe de ficar enciumado com os progressos e o engenho do discípulo, reconheceu e aplaudiu o engenho no jovem ituano, de quem sempre foi leal amigo e admirador. E isso ficou demonstrado na visita que o imperador D. Pedro II fez à Academia. Tendo-lhe o soberano perguntado qual seu melhor aluno, o francês, sincero, sem titubear, declarou: 

                - É Almeida Júnior, Majestade, um moço de São Paulo, um grande talento!

              Almeida Júnior foi, ainda, aluno e intimo amigo de Vitor Meireles, o grande pintor catarinense, autor de "A Batalha dos Guararapes" e da Primeira Missa no Brasil", que o aconselhou a ir à Europa, a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos. Vitor Meireles, famoso desenhista, transmitiu sua paixão ao moço ituano, seu grande amigo, desde o início do curso. 

               Após terminar o curso na Academia, onde obteve a grande medalha de ouro e outros prêmios, Almeida Júnior retirou-se para o torrão natal. Isso constitui um mistério, pois ele deveria concorrer ao prêmio de viagem, com imensas probabilidades de consegui-lo.

               Almeida Júnior adorava os pais, sofria ao vê-los na miséria. Quando estudante, certa vez, ganhou um conto de reis, na loteria, quantia elevada para a época. Pois bem, o moço não titubeou; enviou-a imediatamente ao pai, para que este comprasse uma casa, um "teto".

             D. Pedro II, entretanto, não esquecera o nome do pintor. Em 1875, o monarca veio a São Paulo, em visita à Estrada de Ferro Mogiana, recém-inaugurada. Ficou admirado ante um retrato, que representava o Comendador Antônio de Queirós Teles, e quis saber o nome do autor. Ninguém da comitiva soube dizer, mas, felizmente, ali estava no local Almeida Júnior, que se apresentou ao Imperador, que, reconhecendo-o, lhe perguntou: 

             - Por que você não concorreu ao prêmio de viagem à Europa? 

             - Majestade - desculpou-se o ituano - fui obrigado a partir da corte por circunstâncias de família. (A verdade, que ele não disse, era a falta de recursos pecuniários). 

              - Pois bem, assim que essas circunstâncias o permitirem, pode seguir para a Europa. Eu o subvencionarei. 

              Tal foi a resposta e a promessa do Imperador, sempre pronto a proteger os artistas. E, graças  a ele, tivemos os Pedro Américo, Vitor Meireles, Rodolfo Amoedo, e, mais tarde, o próprio Carlos Gomes, o grande compositor campineiro. 

                Havia um pequeno inconveniente, todavia; o nosso pintor estava noivo de Maria Laura do Amaral, sua parente, linda moça, com quem namorava desde criança.  Balduino do Amaral Gurgel,pai da amada, ao tomar ciência da viagem, segundo narra Fernando Jorge, colocou Almeida Júnior neste dilema: ficar e casar ou partir e romper o noivado. 

                 O mor pela arte, que era tudo em sua vida, falou mais forte no coração do moço ituano, que resolveu rumar para Paris, com uma pensão de trezentos francos mensais. Talvez pensasse poder casar com Maria Laura,aso regressar, já famoso. 

               Na "Cidade Luz", Almeida Júnior matriculou-se na Escola de Belas Artes, recebendo aulas do famoso mestre da cor e do desenho Alexandre Cabanel, um dos mais renomados coloristas franceses da época. 

                Foi bastante proveitosa a permanência de Almeida Júnior na Europa, tendo por lá ficado de 1876 a 1882.  Pela França imortal, soprava, naquele tempo, uma aura de renovação. Os novos, os chamados revolucionários, desacatavam os consagrados, os grandes nomes da pintura. À frente dos jovens pintores estava Cèzanne, Renoir, Sisley, Degas e tantos outros. O nosso "caipira", entretanto, não se deixou impressionar com as novidades, fiel aos cânones clássicos. Fora para lá com uma sagrada missão a cumprir. Sob a orientação de cabanel, estudava com afinco, visitava as galerias mais famosas, os museus, observava, aprendia, assimilava, arguto observador que era. Aurava sua arte e trabalhava sem cessar. Ouvia as opiniões pró e contra os discutidos Ingres, David, Corot, Delacroix, Puvis de Chavannes, Claude Monet, Toulouse Lautrec, pontos altos das diversas escolas. Assistia a todos os debates, às polêmicas tipicamente latinas, em que os estudantes punham todo seu ardor, mas, como bom caipira, acanhado, sempre macambúzio, ia observando tudo e... pintando. 

            E, dessa sua fase de aprendizado e meditação, saíram várias de suas telas famosas, que causaram êxito no "Salon": "Remorso de Judas", Descanso do Modelo". "A Fuga para o Egito", Um cantinho de Atelier" e Arredores de Paris e do Louvre", E, ali mesmo, reproduziu esse magnífico "Derrubador Brasileiro", onde, ao fundo, pontifica a deslumbrante paisagem brasileira, com suas palmeiras e matas intrincadas, pois tanto pode a saudade da pátria e seu valor evocativo. 

                Almeida Júnior recebia a pensão imperial das mãos do diplomata Visconde Nioac. Este implicava com o sotaque interiorano do pintor e aconselhou-o. com muito tato, a melhorar sua fala, pois trocava o "ele" pelo "erre". Tanto bastou para Almeida Júnior, em geral calmo e pacato, explodir, dizendo que se orgulhava de seu sotaque ituano e que jamais o abandonaria, concluindo com estas incisivas palavras: 

                - Istô morto pór mi pilhar nó Brasil!

                Como se vê, Paris, com todo seu encantamento e atrações, não conseguira modificar o autêntico caipira, que não ovidava sua distante e querida Itu nem "seus pausados cantares paulistanos". Em seu atelier, via-se, sempre, a bandeira nacional, como que lhe acenando a futura glória. 

                Finalmente, em 1882, Almeida Júnior, após laurear-se com distinção, com enorme bagagem de experiência e uma enorme saudade "matadeira" regressa ao Brasil querido, aos seus pagos ituanos. E recomeça outra fase de grande e produtiva atividade. Superado o período dos temas bíblicos - "Conversão de São Paulo", Assunção da Virgem", Cristo no Horto", Cristo Crucificado" - surge a quadra nacionalista, aquela que o tornaria o mais brasileiro dos pintores brasileiros. São desse tempo "Caipiras Negaceando", premiado com medalha de ouro na Exposição Internacional de Chicago", "Cozinha Caipira", "percaria", "Nhá Chica", "Apertando o Lombilho", "Picando Fumo", "Amolação Interrompida", "O Violeiro", "Caipira Pintando", "Vistas de Itu, Piracicaba, Votorantim", e tantas outras, além de retratos de amigos e clientes. Pintou, ainda, "O Importuno", "Saudades", "A Mendiga", "Trecho de Estrada", etc.

                 José Maria dos Reis Júnior, também emérito pintor, dele diz, em sua "História da Pintura no Brasil": "Terminada sua pensão, fez uma viagem cultural a diversos centros europeus e, em 1882, ei-lo novamente integrado no ambiente querido de sua província. Dá, então, largas aos sentimentos nativistas, que já esboçara em paris. É interessante e necessário, para a compreensão da obra de Almeida Júnior, acompanhar-lhe a evolução artística. Ela se processa em três fases distintas - antes da viagem á Europa, durante a estada no estrangeiro e após o regresso, e, em todas essas três fases, transparece, permanente, obsedante, a preocupação nacionalista. Sua linha ascensional é dirigida firmemente no sentido de traduzir o lirismo feito do amor à terra e ao homem brasileiro. A vida e a obra de Almeida Júnior sincronizam essa mesma inspiração. Nada p afasta da diretriz que, por assim dizer, é a sua mística. 

            Nas suas mãos, o cabedal plástico adquirido vai, aos poucos, perdendo a feição uniforme e ganhando propriedade. Sua sensibilidade o vai afeiçoando. A influência do interior é flagrante, não apenas na escolha dos assuntos, mas também na própria maneira de tratá-los. O maneirismo de Cabanel desaparece gradativamente. A produçao de Almeida Júnior afirma a sua constante ideologia e prova que, nos tipos como ele, verdadeiramente de eleição, nos temperamentos fortes, os conhecimentos não atrapalham nem perturbam a eclosão da personalidade, nem estampam os traços raciais. Pelo contrário, até dá maiores possibilidades de externá-los, impo-los e universalizá-los. Tudo depende somente do indivíduo e da força de sua formação interior.   

              O indivíduo, cuja infância e adolescência só foram impressionadas por um único quadro moral e natural, guardará muito mais vivas as impressões; dai promana a força expressiva de Almeida Júnior. Até à sua maturidade conviveu no interior do Brasil; era um caipira. E Euclides da Cunha já o afirmou: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do Brasil". Almeida Júnior nasceu e cresceu no interior, em estreita convivência com seus tipos e costumes. Rodolfo de Amoedo (outro grande plástico citado pelo autor e comparado a Almeida Júnior), nasceu e viveu numa cidade litorânea. A vida citadina, por mais típica que seja, não conserva características precisas, sobretudo quando as cidades são pontos de mar; elas estão mais em contato com outras civilizações, o que estorva o apuramento dos traços originais. Ambos estiveram em paris, ambos estudaram com os mesmos mestres, tinham a mesma habilidade manual. Mas um - Almeida Júnior - tinha um mundo a revelar, seu mundo feito de todas as reminiscências da primeira idade,de todas as emoções antigas, que lhe dormitavam no íntimo e que ali se cristalizaram. Um - Amoedo - é ótimo pintor; o outro - Almeida Júnior - é o maior poeta da pintura brasileira. Não há quadro seu, não há pedaço de sua pintura que não esteja impregnado do sabor da terra-roxa e da mata virgem. Esse provinciano, simplório no trajar, esse caipira forte, quase imberbe, esse caboclo autêntico, concentrou em si todo o lirismo da terra e dos atavismos remotos e reverteu-o em formas que são o símbolo de uma raça.  

                 A sua pequena cidade natal, o modesto ambiente da família cultivaram-lhe o sentimentalismo brasileiro, esse sentimentalismo feito de bondade e ternura. A imensidade azul do céu, a grandiosidade da natureza, que conheceu acompanhando o lenhador, ou seguindo o matuto à caça, impregnaram-lhe os sentidos dessa nostalgia indefinida, dessa tristeza vaga, subconsciente, em que o espetáculo acabrunhador da natureza submerge a alma. 

                 Em 1897, Almeida Júnior expôs, em São paulo, essa maravilhosa tela "A Partida da Monção", que lhe custou dois anos de trabalho. Infelizmente, o acanhado meio de então, críticos insipientes, não lhe deram o valor que merecida e que somente mais tarde apareceu. Essa obra imortal representa um dos pontos mais emocionantes da história das Bandeiras e, ao expô-la, o pintor distribuiu esta nota: 

"PARTIDA DA MONÇÃO"

                 "Os antigos paulistas assim denominaram a caravana que partia de Porto Feliz, descendo o Tietê para Cuiabá.As de que se trata eram organizadas simplesmente por destemidos e ousados sertanejos que, inspirados pelo amor ao desconhecido, descoberta de minas e civilização dos bugres, em toscos batelões cobertos de palha e simples canoas, partiam conscientes de que iam arrostar, com sacrifícios inauditos, toda a sorte de aventuras, constituindo-se, por isso, uma tradição gloriosa para os paulistas. O quadro que ofereço à apreciação do público representa a partida desses heróis, que, depois da missa na igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens", acompanhados do padre, capitão-mor e povo, embarcavam no Porto Geral, recebendo, na ocasião, a solene benção da partida."

                Nesse quadro, Almeida Júnior retratou diversos membros de sua família, seu pai, seu sobrinho João Firmiano, o vigário de Itu (Pe. Miguel Correia Pacheco), de quem Almeida Júnior foi "coroinha" e do qual recebeu grande estímulo, Campos Sales, Prudente de Morais e o Conde de Pinhal. E ele próprio ali aparece, resguardando-se do sol, com o chapeu. Da intimidade e o convívio com Dr. Cesário Mota Júnior, nasceu a primeira ideia desse grandioso trabalho, que visa perpetuar, na história pátria, a influência dos povos ribeirinhos do lendário Tietê na civilização brasileira.

               Almeida Júnior realizou nova viagem ao velho continente, porém, agora, na qualidade de mestre já consagrado, não mais de aluno. E, lá, recebeu as maiores manifestações que um artista possa almejar, pois seu nome já era universal, transpusera fronteias. Segundo suas próprias palavras, nessa viagem retemperou as forças e, com o espírito repousado, fixou, sem planos preconcebidos, inúmeras impressões que lhe foram muito proveitosas. Voltou com insaciável sede de trabalho. De 1898 a 1899, realizou, vertiginosamente, numerosas obras, ideando, esboçando, estudando, como se estivesse pressentindo seu trágico fim. E era realmente seu canto de cisne, pois, nesse fatídico dia 13 de novembro de 1899, à porta do Hotel central, em Piracicaba, foi assassinado por um marido ciumento, que cortou o fio da vida do maior e mais querido pintor brasileiro. 

                 E assim, aos quarenta e nove anos de idade, no fastígio de sua glória, morreu José Ferras de Almeida Júnior, o caipira genial, o pintor que descobriu o verdadeiro sentido da pintura nacional. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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23 de mar de 2018
FRANCISCO GOYA - BIOGRAFIA - Nicéas Romeo Zanchett Comentários


             No povoado de Fuendetodos, uma dos mais paupérrimos de Aragão, existe, ainda hoje, uma velha casa, pouco mais que uma choupana, construída com pedras mal entalhadas, de pequena janelas irregulares, que se abrem para uma estrada poeirenta; é a casa onde, em 30 de março de 1746, nasceu Francisco Goya, um dos maiores pintores espanhóis. Reinava, ali,extrema miséria, aquela de quem já conheceu dias melhores e não sabe contentar-se com seu estado atual. 

                O pai, José, filho de um tabelião, fora obrigado, pela necessidade, a trabalhar como decorador. Sua mãe, Gracia Lucentes, pertencia à pequena nobreza de Saragoça, mas nada possuía, então, além do titulo.

               Em Saragoça, para onde se haviam transferido, Francisco e seus irmãos foram para a escola dos padres Scolopi. Francisco aprendeu pouco e mal, e mal continuou a escrever pelo resto da vida. Mas, nessa escola, Goya conquistou um amigo, o melhor de sua vida, o único que não o abandonaria mais e confortaria nas vicissitudes da vida. Desde logo, Goya compreendeu que aquele era seu caminho, que outras veredas o esperavam. Matriculou-se na escola de Luzán, para aprender pintura, ao mesmo tempo que aprendia desenho, com o escultor Ramires. A técnica é a mesma, cópias de gesso e estátuas, um duro tirocínio para uma criança. Mas foi justamente através deste hábito de trabalho que se tornou familiarizado com o corpo humano. 

                Sua partida de Saragoça para Madri seria, talvez, a manifestação de seu tédio por estudo, de que mais tarde de arrependeria, ou o sinal de que suas garras já estavam afiadas para a luta? De qualquer maneira, ela ainda não atinge a meta. Inscrito em dois concursos, fracassa. Na falta de portentosas qualidade, que a lenda lhe atribui, havia nele - herança da terra dura - aquela proverbial teimosa aragonesa, que lhe ensina a insistir na senda traçada, com tenacidade, mesmo após um xeque-mate. Infeliz nos dois concursos, impaciente por fazer carreira, Goya resolve, com seus próprios recursos, tentar fortuna em Roma. Talvez arranjara algum dinheiro inscrevendo-se numa quadrilha de toureiros, que se exibiam nas praças das aldeias.

                 De sua permanência em Roma não restou traço algum. O que se conhece desse tempo é mais devido às lendas, que desde muito corriam em Saragoça. Sua vida despreocupada, seu temperamento ardente, prestam-se às férvidas imaginações dos biógrafos, para patentes exageros. Teria, assim, nascido o mito de um homem amante de conflitos sangrentos, perseguido pela justiça popular e pelo terrível Tribunal da Inquisição. Também em Roma não se encontrava à vontade em um atelier, num museu trabalhando, mas sim entre o tumultuar do povo das ruas, Misturado aos cidadãos da Rome de então. 

               Sempre à procura de um concurso qualquer, muda-se para Parma. Em Parma, viviam os Borbãos, ali se respirava o clima da Espanha. Ali imperava, mestre insuperável, Mengs. Mas o primeiro prêmio não coube a Goya. O ar que respirava, as clássicas formas, não eram para ele. Estava com 25 anos. Sua mocidade transcorrera entre as malhas da mediocridade. 

                A oportunidade que em vão o jovem pintor procurara na Itália lhe é oferecida  em seu regresso a saragoça. Seria o apoio do amigo Zapater e de sua família, a intervenção do professor Luzán ou o fato de haver frequentado, em Madri, a escola de Bayeu, pintor dos mais famosos, que fez com que Goya se interessasse por ele? Talvez tenha sido, mesmo, o espírito de parcimônia que  animava a Fabbriceria a fazer recair a escolha sobre o nome de um pintor desconhecido e, por isso, pouco exigente. Ele aceitou todas as condições; uma prova de afresco, um cartão completo, para submeter à Academia de S. Fernando, e garantiu que concluiria com rapidez qualquer trabalho. A pressa não o assustava. Sempre tivera facilidade inventiva e agilidade de execução.

               A data de início do trabalho, 21 de outubro de 1771, foi decisiva para sua vida artística. E foi um sucesso, seu primeiro modesto sucesso. Sua fortuna estava mesmo em saragoça. 

                Bayeu, no entanto, conservava os olhos fixos em Goya. Não lhe poupa auxílio - nesse ínterim, Goya se torna seu cunhado. Quando Mengs lhe pede nomes de pintores que possam pintar cartões para tapeçaria e painéis, cita o nome do cunhado. O Príncipe da Astúrias, irmão do rei, casa-se e precisa de uma residência condigna. Goya compreende que essa ocasião lhe será definitiva, que, agora não pode fracassar. Pintor desembaraçado como é, emprega quatro meses para preparar o primeiro cartão; mas não é um desenho, é um quadro, preciso, cheio de minúcias. 

               Outras encomendas, outros catões virão, a seguir, para aumentar-lhe a fortuna, para enriquecer seu lar modesto; depois, serão demasiados e acabarão perseguindo-o. Em todos eles só o horizonte é baixo. Ali, há sempre espaço para o azul suave do céu, onde se destaca a silhueta esbelta ou espessa de uma árvore. Os personagens encontram-se agrupados ao centro. Aos contemporâneos agradam, acima de tudo, cenas de crianças, gorduchos meninos brincando, que apanham frutas nas árvores; uma infinda alegria, que provém mais das cores do que do desenho. 

              "Estou ganhando entre 12.000 e 13.000 reais (naquele tempo  a moeda era real na Espanha) por ano, o que me permite viver como o mais abastado cidadão", escreve Goya, aos trinta nos, ao fiel Zapater. Quantas privações, quantas incertezas para o futuro deveria sofrer, se estes recursos não, se estes recursos lautos constituíam para ele a abastança!

                 Não era capaz de trabalhar continuamente. Depois de uma batimento, porém, voltava-lhe a ânsia de produzir. De temperamento exuberante, seu desespero cava nele sérios abismos, mas a esperança já é, para Goya, certeza do triunfo. Em 90 dias, consegue levar a término um afresco, e, depois, escreve ao amigo: "Sinto-me sem forças, e trabalho pouquíssimo. Peça à Santíssima Virgem que me conceda o amor pelo trabalho."  Para salvá-lo desse desânimo, serve a observação atenta que lhe inspiravam os humildes; as mulheres do mercado, os mendigos na feira de objetos, os vagabundos que rodeia o cego tocador de guitarra; cada imagem se tornará um quadro, um painel, que para nós,hoje, representam a patética imagem de uma Espanha desaparecida. 

                 Mas não se pode permanentemente viver na província. Em Madri, estava o rei, em Madri, pulsava a vida. Na corte, o soberano reúne os melhores artistas. Certamente, ali, haverá igrejas para pintar, pessoas para retratar; e que diferença manter atelier na capital e conhecer o rei! Finalmente, em 1779, seu sonho, como aquele de outros grandes pintores espanhóis, se realiza; Goya é recebido por Carlos IV.

                   Na monumental escadaria, onde o visitante se sente insignificante, entre as imensas colunas que sustentam arcos imponentes, Goya, aguardando a audiência com o pequeno rei, de tão pouco aspecto real, avalia o caminho percorrido por ele, desde quando, ainda camponês, partira de Fuendetodos. Encantado, escreve ao amigo. Agora, já se encontra no auge da fama. A proteção do rei, do Infante D. Luiz, seu filho, é o ponto de partida de sua carreira. Homens influentes fazem-se retratar por ele, generais, ministros, poetas, literatos, as mais belas mulheres da Espanha, e, acima de todas, a duquesa de Alba, que parece esculpida em mármore, tão branca ela surge no retrato que Goya lhe pintou. Quando olha, a vista de Goya não é somente um espelho fiel. Talvez, inconscientemente, é um modelo o interesse, mas este modelo é como uma seleção de almas; observa também ao rei com olhos novos. Se sua alma de súdito fiel ficara comovida pela honra que lhe coube, o olho do artista em nada se perturbou. Raramente um rei foi retratado assim de maneira tão viva; raramente um poderoso da terra fora humanizado numa expressão tão fugidia. Mas os retratos de Carlos III e de seus sucessor Carlos IV nada perdem de sua majestade. Um verdadeiro pintor de corte teria ficado em dificuldade ante o problema de retratar os personagens de modo a dissimular as pernas muito curtas, os rostos envelhecidos ou sem viço, teria procurado suavizar os semblantes, na verdade, não belos, dos Bordões, com jogos de matizes e sombras. Mas, para Goya, não existiam problemas dessa natureza. Os personagens eram somente eles mesmos, como se houvessem sido surpreendidos em sua intimidade. 

                 Goya não se pintou muitas vezes; cada seu auto-retrato,porém, representa uma fase de sua vida. Já passara dos quarenta. Lutara. Longos anos de mediocridade passaram sobre ele, sem abalar-lhe a primitiva força, seu poder agressivo. Uma vez triunfante, percebe a necessidade de retirar-se. Encara o cavalete e a tela com ar triunfal, pois agora, já se sente um mestre! E apenas quatro anos se passaram, desde quando se retratara nas vestes humildes de postulante, diante do conde de Floridablanca! Ao fundo do quadro da família real, à esquerda, oculto em parte por uma grande tela oblíqua, está seu retrato. É de uma modéstia apenas aparente. Sente-se seguro de si mesmo, confiante, orgulhoso; não receia introduzir-se num quadro que representa a família real, não se sente demais, ali. O retrato de 1795, ao invés, possui feitio bem diverso. Sobre ele caíra a surdez. A moléstia cavara-lhe sombras escuras no rosto, entre a boca e os olhos, marcados por profundas olheiras; um rosto em decomposição, onde a barba e os cabelos caem em desordem. A surdez isola-o do mundo. A princípio, sua solidão não é mais que amargura e saudade; um deserto de desolação. O trabalho é sua defesa, sua distração. Se o pincel se tornara pesado para suas mãos cansadas de enfermo, a pena, leve, ligeira, seria um ágil e admirável instrumento de arte e de luta. Nascem, assim, suas maravilhosas apóstrofes, onde vibra toda a revolta do povo espanhol contra os Franceses, todos os anseios de liberdade de uma Espanha consciente e sedenta de liberdade. Napoleão estendera também suas garras sobre a Espanha. E, por toda  a parte, reinam a morte e o horror. É uma outra Espanha, esta, não mais aquela frívola e vivaz, das mulheres de mantilhas negras e sorrisos por trás dos leques, que tanto encanto tinham para os contemporâneos de Goya, mas sim um povo que sofria, que se insurgia, que embatia. Eis os fuzilados; diante dos pelotões de execução, nascem os primeiro mártires, uma heroína desfralda a bandeira; na morte, espanhóis e franceses são um único exército. Eis a grande obra "Massacre de 2 de maio de 1808", de uma dramaticidade poderosa e terrível. 

                 Mas o pintor, já cansado, sente uma irrefreável necessidade de evasão. E procura refúgio fora da cidade, numa velha casa de campo, que os vizinhos chamarão, depois, de "Casa do Surdo". Nas paredes, a cor brota do pincel de Goya e ali se emplastra como um alto-relevo. Como que tomado por insólito furor, Goya pinta. Pinta para si mesmo, exprime somente a si próprio. Pinta os perigos que ameaçam a vida humana; são seus pavores que o obsessionam, seus impossíveis sonhos.  As visões que a solidão gerou assumem forma; no fio de seus pensamentos, traça arabescos a seu trabalho, diabos e bruxas que se reúnem, bocas desdentadas, olhos que guardam em seu interior um fogo mau, uma alucinante visão! Sua alma, profundamente espanhola, se revela plenamente. Mas, entre estas visões diabólicas, entre estas descrições que aprendera talvez com sua mãe, em menino, nasce no Goya velho, enfermo, um fervor religioso, que sempre lhe fora desconhecido. Pinta para os padres Scolopi, em madri, um quadro que exalta a vida de seu fundador, S. João de Calasans. 

                   Não só os conhecedores, mas também as almas mais simples ficam ante o forte poder expressivo desta obra. O primeiro biógrafo de Goya conta que um vulgar aguadeiro de Madri, ao atravessar o atelier, ajoelhou-se, vencido pela emoção, como se estivesse diante de um altar. 

                 Mas a estrada da glória leva Goya para o exílio. Os liberais não são bem vistos na Espanha. De Madri a Bordéus, a viagem é difícil. Apesar disso, o velho Goya enfrenta-a quase com satisfação. E, ao chegar a Bordéus, ainda trabalha, em seu ócio forçado pela convalescença. 

                Em fins de 1819, Goya, exausto pelo demasiado esforço, cai gravemente enfermo. Conseguindo escapar à morte, na idade de 73 anos, ainda possui tanta energia que pinta mais um auto retrato, escrevendo: "Goya, reconhecido, ao seu amigo Arieta pela habilidade e os cuidados que lhe salvaram a vida durante sua aguda e perigosa enfermidade sofrida em fins do ano de 1819."

                  Mas, aquela poderosa força, que durante longo tempo sobrepujara todos os achaques da idade e das doenças, baqueou. De tanto em tanto, parece estar morto. Atacadopor uma paralisia, espera somente morrer. O grande pintor já não vivia desde muito tempo. Morrera quando sua mão não mais pudera sustentar o pincel ou a pena. 

                  Era o dia 16 de abril de 1828, e Goya contava 82 anos de idade. 

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21 de mar de 2018
BIOGRAFIA DE CARAVAGGIO - Nicéas Romeo Zanchett Comentários


             Bem perto de Bérgamo, graciosa e antiga, entre o verde risonho da paisagem, esconde-se Caravaggio. Talvez, devido a uma inata sensibilidade da raça, à munificência divina do astral, ou à proximidade dos grandes centros onde era bem vivo o culto da arte, o certo é que grandes pintores nasceram nas terras bergamascas e foram requintar sua arte em Milão, Veneza e Roma. Como esses, surgiu, certo dia, em Milão, Michelangelo Merisi; de Milão seguiu para Roma, em busca de fortuna, e tamanha foi sua arte, tão pessoal e originalíssima, que, para melhor distingui-lo do outro grande Michelangelo, o Buonarroti, ou talvez para melhor definir-lhe a pintura, toda embebida de um forte sabor popular, os romanos chamaram-no, desde logo, pelo nome de sua terra natal e ele ficou conhecido, no mundo inteiro, como "Il Caravaggio". 

                Nasceu Michelangelo em 1573, filho de Fermo Merisi, arquiteto. Junto ao pai, aprendeu bem depressa a usar da pena e a sonhar com a pintura, aspirando a realizar grandes quadros murais ou afrescos, para colorir os vastos muros que os operários construíam. Qual foi o sinal que revelou ao pai a vocação do filho? É difícil dizê-lo, porque as histórias são muito obscuras sobre esse ponto, mas, como é belo dar crédito às lendas, quando se trata de artistas, homens de muito superiores à realidade, quando prevalece quase sempre a fantasia, sabe-se que Michelangelo, desde seus mais tenros anos, tentava rabiscar figuras, em ponto grande e muito semelhantes ao real, nas paredes frescas de cal, e que Fermo ficou impressionado com a habilidade do filho, tanto que decidiu mandá-lo estudar seriamente desenho, em Milão, entregue às mãos de um bom professor. 

                  E assim foi ele parar no "atelier" de Peterzano. Onze anos de idade, ou talvez menos, tinha ele, então, mas era já um garoto terrível, dos mais irrequietos. Cabelos e olhos escuros, braços e pernas fortes, de criança crescida ao ar livre, sempre pronto a brigar ou a responder malcriadamente a quem o provocasse. 

                Naquele tempo, quiçá pela vontade dos que encomendavam as obras ou talvez pelo gosto dos pintores, preferia-se pintar em estilo rebuscado. Figuras artificiais invadiam os quadros, contorcendo-se em espasmos e gestos nada naturais; repletos de vestes e adornos, os Santos e as Virgens olhavam das telas, entre uma invasão de frutas e flores, como se fossem, ao invés de Virgens e Santos, meros comediantes. 

                 Também no "atelier" de Peterzano, naturalmente, imperava esse gosto, e os alunos esforçavam-se em imitar o estilo do Mestre. Mas Michelangelo, que sempre foi desabusado e original em sua vida também o foi na pintura e, tanto na vida como na arte, jamais quis aprender boas maneiras. Não prestava atenção, pois, aos quadros do Mestre, mas, ao que via em redor de si, procurando, na vida diária, nos homens encontrados pelas ruas e nas tabernas, os modelos para os próprios quadros. 

                  Michelangelo era um incorrigível brigão; chefiava os rapazes das tabernas e das lojas para pregar peças aos mandões da cidade, e desafiava insolentemente o Mestre, quando este o censurava, com aquele ar arrogante e descarado que nunca o abandonou. 

               Permaneceu em Milão quatro anos. Terminado o contrato com Peterzano, ou porque a família não se importasse muito com aquele filho crescido demasiadamente irrequieto ou porque os ares do pequeno povoado bergamasco não lhe agradassem, não mais voltou a Caravaggio e foi em busca de ares melhores. 

                Dinheiro, ele possuía bem pouco; talvez o suficiente para comer uma salada e, às vezes, nem isso, mas possuía uma grande coragem, um desejo de realizar grandes coisas, com sua pintura e, também, coração de vagabundo. 

                Os primeiros tempos, em Roma, foram duríssimos. Apanhou malária, e esta nunca mais o abandonaria, nem mesmo quando saiu do Hospital da Consolação. Certos seus auto-retratos, pintados ao sair do hospital, nos quais o semblante  ainda pálido pela terçã aparece sob o aspecto de garoto de rua ou de adepto de Baco, atestam bem claro o quanto saíra sem cor, da insidiosa moléstia, o robusto pequeno camponês. E a miséria não o auxiliou, por certo, a apressar a convalescença. Caravaggio não habitou os bairros aristocráticos , nem teve um daqueles estúdios, arejados e pitorescos, onde os grãs senhores não se sentiam diminuídos em ir posar para os pintores da moda, mas viveu entre os pobres, cuja companhia compartilhou nas tascas, o mesmo se podendo dizer quanto às brigas e a comida. 

                 Mais tarde, porém, dias melhores vieram. Trazia ouro nas mãos, que tão bem sabiam desenhar e pintar, e os romanos, logo, principiaram a entendê-lo. O primeiro foi o cardeal Del Monte, que se apaixonou por um seu quadro de "tabernas", pintado com tamanho vigor e naturalidade, que aqueles jogadores e beberrões pareciam vivos e reais. O cardeal levou para casa quadro e pintor. Dependurou o primeiro bem à vista, lisonjeou o segundo, deu-lhe roupas vistosas e apresentou-o aos ilustres amigos que lhe frequentavam o palácio. Entre uma briga e outra, entre um lauto banquete à mesa farta do cardeal e uma parca refeição numa estalagem, hoje trajado de grã senhor, de pajem ou lado, amanhã com um veludo do casaco todo poido, seguido de um canzarrão chamado Cornacchia (gralha), tanto era negro, o Caravaggio (agora todos o conheciam sob este nome) ia pintando; e as encomendas choviam. 

                   Não se pode certamente afirmar que, quando viu a seu lado a fortuna, agarrou-a pelos cabelos e a conservou bem junto de si.Reverenciou os nobres, mas apenas o suficiente para que não lhe tornassem inimigos, pintou sob o impulso de seu estro, mais que por avidez de dinheiro, satisfez seus fregueses, enquanto o gosto destes não lhe feria o próprio. E, muitas vezes, nem isso fazia. Habituados às boas maneiras dos pintores da época, houve quem se escandalizasse ao ver tratados como pessoas do populacho os Santos e as Virgens. Aquele São Jerônimo, de membros musculosos, aquele São Mateus, sentado tão à vontade, em companhia de grosseiros jogadores, aquela Madona morta, que, estendida em seu catre, mostra os membros contorcidos, nos espasmos de agonia, frequentemente faziam torcer o nariz aos homens de seu tempo. Entretanto, também então, como em nossos dias, houve quem compreendesse que aquela rude maneira de descrever os fatos e os personagens era uma nova maneira de se exprimir, com sinceridade e profundidade realmente populares, com amor a Deus, aos homens e às coisas. Muitos, até, foram admiradores de seu estilo, o qual, agradasse ou não aos nobres, logo foi seguido por inúmeros jovens de Roma e Nápoles e, mais tarde, mesmo na Espanha e na Holanda, surgiram muitos admiradores seus, em contraste com os representantes da lei, sempre escandalizados com suas proezas de valentão. Se tivéssemos que representar o Caravaggio, pinta-lo-íamos com o pincel numa das mãos e a espada na outra, pois tantas foram suas brigas, que superaram longamente o número dos quadros que pintou. Para não incorrer nas sanções da lei, Caravaggio precisou, finalmente, partir de Roma e procurar guarida em Nápoles, onde a fama de sua pintura era mais viva do que suas proezas de turbulento. 

                  Tinha, então, cerca de 35 anos, mas demonstrava muito mais, pois a vida desregrada, as consequências da moléstia e o medo de cair nas garras da polícia lhe haviam prejudicado sensivelmente a saúde. Em Nápoles, pintava e provocava rixas, como sempre fizera. Seus quadros, porém, uma Flagelação de Cristo, um última Ceia, um Sepultamento de Santa Luzia... demonstravam que o pintor parecia procurar, nessa nova fase, resgatar-se, diante de Deus, de Todas as tristes proezas que praticara em sua vida irregular, arrastado pela maldita paixão de provocar lutas, pois, na verdade, esses seus quadros figuram entre os mais religiosos do século XVII.

                 De Nápoles, passou para Malta, onde foi recebido com grandes honrarias, mas muito breve foi sua estada ali, porque, após outra de suas façanhas, precisou fugir às escondidas e voltara perambular pelo continente. E foram, os últimos tempos de sua vida, os mais duros que se possa imaginar; atormentado com o pensamento da justiça, visto com desconfiança por aqueles que julgavam vislumbrar nele sintomas de loucura, devorado pela inquietude e suspeita, jovem de anos, mas velho de experiência, a Fortuna, quase que querendo vingar-se daquele pintor, que tão pouco a respeitava, pregou-lhe, certo dia, uma desagradável peça. Navegava Michelangelo num barco, rumo a Gênova (era agosto de 1610), quando, em Porto Ércole, a polícia, tomando-o por um personagem de reputação duvidosa, deteve-o o necessário para certificar-se de sua identidade, mas o tempo que bastou para que o barco levantasse ferros e zarpasse para o largo, com tudo quanto o pintor levava consigo. Em vão de desesperou Caravaggio, correndo pela praia, sob os raios do fortíssimo sol que vergastava aquela hórrida região, repleta de miasmas maláricos. Afinal, as forças abandonaram-no. Houve, dizem, que o recolheu agonizante e o internou no hospital, mas, parece-nos mais coerente com a figura do personagem a versão que nos transmitiram os historiadores, segundo a qual ele morreu nas areias da praia, só e desesperado, com a boça contorcida de de tanto gritar, dando vazas, pela última vez, à sua habitual rebelião. 

                  Mas sua obra permaneceu imperecível. Graças a ela, sejam quais forem os erros praticados por Michelangelo Merisi, "plebeu de temperamento sombrio e brigão", todos vrão nele, sempre, um dos maiores pintores da Itália e do mundo. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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12 de mar de 2018
TIEPLO - JOÃO BATISTA TIEPLO - Comentários


Tieplo - por Nicéas Romeo Zanchett 

               O século setecentos abre-se sobre uma Itália esfacelada: ao norte e no sul. estavam os espanhóis, Gênova sofria o jugo estrangeiro, em Florença, reinavam príncipees inéptos. Roma agonizava, o Piemonte encontrava-se armado em defesa dos inseguros Alpes, Veneza perdera as recentes conquistas de Morosini. Também a arte declinava. Passado o grande fervor do Quinhentos, não mais grandeza de iniciativas, não mais mestres excelsos. 

                A pintura oscila entre as obscruras cores dos Tenebrosos - eram assim denominados aqueles pintores que empregavam tintas foscas e escuras e procuravam, através das sombras, efeitos violentos e a graça miúda, a pompa decorativa, que é uma das características mais precisas deste século. Mas, de Veneza irradia uma luz: Benedeto Marcello conduz a música a alturas jamais artingidas. Carlos Goldoni cria, rindo, um teatro novo. Aqui,em Veneza, nasce, em uma casa ora destruída, na corte de São Domingos de Castello, João Batista Tieplo. Era o nao de 1696.

                Seu nome é aquele de uma antiguíssima e nobre família veneziana; para distinguí-lo desta, ele, o filho de um modesto capitão de navio, passa a ser chamado, entre o brejeiro e o afetuoso, Tiepoletto ou Chiepoletto. Da mãe, sabe-se o nome de batismo, ou seja, o prenome Ursula, ou, à veneziana, Orsetta. 

            Tendo demonstrado, desde menino, pendores para a pintura, a mãe - porque o pai não o conheceu, visto ter-lhe morrido quando tinha apenas um ano - mandou-o aprender a arte no atelier de Gregório Lazzarini, que gozava, então, em Veneza, de enorme fama. O contraste existente entre a pintura forte e exuberante de Tieplo e a Veneza do 700, arguta e afetada, encontra-se também entre sua arte e em seu ânimo tranquilo. Nunca a arte tumultuosa de Tieplo correspondeu à sua índole sempre doce, bodosa; o artista deixava-se transportar pela fantasia, mas o homem passou a vida, sadio e satisfeito, na felicidade doméstica. Aos 23 anos de idade, em 17 de novembro de 1719, desposou Cecília Guardi, irmã daquele Francisco que tanto louvou, nos seus pequenos quadros, o aspecto alegre e festivo de Veneja. Desde o tempo de sua infância até seu casamento, não se tem notícias da vida doméstica de Tieplo. Imaginêmo-lo solerte em sua loja, os olhos, como chapas atentas, a fotografar a cor delicada do céu de sua cidade, a interrogar, com olhares vivazes, as coisas que o circundam. Feliz decorreu sua vida. O matrimônio foi alegrado por nove filhos, em dois dos quais teve o conforto e o prazer de ver ótimos pintores e continuadores de sua obra: Domínico e Lourenço.

                         Tornado logo célebre, Tieplo recebia encomendas até de padres estrangeiros. Tinha 37 anos, quando o conde de Tessin, ministro do rei da Suécia, tendo recebido incumbência de seu soberana para descobrir-lhe um pintor que pudesse, magistralmente, decorar-lhe o palácio real de Estocolmo, dirige-se ao veneziano, como ao melhor pintor, ao mais férvido artista. E dele, em uma carta ao rei da Suécia, assim fala: "Tieplo é o que nos interessa. É cheio de espírito, sabe ajustar-se. É de uma surpreendente habilidade. Faz um quadro em um tempo menor do que é necessário a outro pintor para compor as cores." Fogo, calor, velocidade; o ministro demonstra não conhecer mal a arte de Tieplo! O trabalho, porém, não progrediu, devido a uma divergência surgida quanto à remuneração. Esta prosaica razão privou a Suécia da obra de um grande artista italiano, disputado e solicitado por toda parte. Sua vida foi um cotidiano, ininterrupto suceder-se de viagens, de uma a outra cidade, de uma a outra igreja, de um a outro palácio. 

              Da cidade que lhe dera o nascimento e viera Tieplo em suas primeiras afortunadas provas, ressoou nos países vizinhos a fama que proclamavam o nome do pintor. Údine, Verone, Bérgamo, Vicência reclamam-no, uma, duas vezes. Em milão, ele esteve três vezes. Ali, pintou a mansão dos Archinto, o palácio Casoti. Em Milão, foi procurado pelo Cardeal Erba Odescalchi, para pintar a fresco a basílica de São Victor, em céu de ouro, assim chamada por seus frescos de fundos dourado, novamente, novamente restaurada, onde repousam os ossos de S. Fausto, irmão do bispo Ambrósio. Também em Milão foi grande sua fama. Em um guia da cidadse, surgido em 1737, o nome de Tieplo está entre as maravilhas milanesas ao lado dos nomes eminentes de Ticiano e Miguel Ângelo. 

                 A fadiga estimulava-lhe as energias, multiplicava-lhas; iniciada uma obra, interrompia-a, entregando-se a outra, para depois retomar o trabalho começado. Quantos afrescos, quantos quadros teria pintado? Não se podem contar nem descrever. Talvez, em algum canto escuro de igreja, mal restaurado, desconhecido, há um Anjo, uma Virgem, um Santo de Tieplo. Recentemente, foi reconduzido à luz e admirado, em Rovigo, um quadro seu. É o retrato de Antônio Riccombuono, erudito religioso, rosto perfeitamente modelado e colorido. 

                 Entre uma viagem e outra, um trabalho e outro que o chamava alhures, pouco tempo teve de parar em Veneza. Mas, também aqui deixou o marco de sua arte, no forro dos Scalzi (depois destruído por uma bomba austríaca), na esplêndida série de afrescos da Igreja dos Gesuati, no palácio Labia, onde estão descritos o banquete de Marco Antônio e Cleópatra e o embarque da rainha, no belíssimo cais Rezzonico. Até na distante Rússia seu nome é conhecido. Da São Petersburgo, da grande Catarina, recebe a encomenda de quatro pequenos afrescos, que irão ornamentar uma abóbada. Não o mediterrânemo artista, mas sua preciosa pintura partirá rumo à terra longínqua, a fim de ali levar um raio de sol italiano. Também na cultíssima França chegou sua fama. Em 1760, tendo doado a Luiz XV alguns quadros, recebe do rei, em troca, esplêndidos presentes. No verão de 1750, premido por encomendas, resolve deixar por algum tempo a Itália. Chamava-o para a Alemanha , ao principado de Wüzburg, o príncipe-bispo da Francônia Oriental, Carlos Filipe. 

                   Três mil florins foram-lhe entregues para a viagem, 21.000 lhe serão pagos para a obra e 3.000 doados a título de gratificação. Würzburg é uma bela cidade às margens do Meno, construída entre férteis vales e verdes colinas. O novo bispo, que pertence a uma família de mecenas, desejando ricamente providenciar uma sua nova sede, para edificá-la com solidez igual à sua magnificência, chamara Neumann, grande arquiteto de seu tempo, e, talvez a conselho deste, convidara Tieplo para pintar-lhe os afrescos. Os artistas italianos tinham sido sempre bem recebidos na hospitaleira e iluminada corte de Würzburb. O Imperador Frederico Barba Roxa, que, em 1156, ali encontrara a noiva, Beatriz de Borgonha, e seus faustosos esponsais, são o assunto magistralmente pintado. 

                  Em dois anos, os afrescos estão terminados. Mas Tieplo ainda não pode rever Veneza. Deve pintar uma soberba escadaria, que ele animará com sua imensa alegria de luz. Ao centro está Apolo, senhor do Sol, e, em redor dele, no firmamento mitológico, Netuno, entre algas marinhas, Vênus, rodeada de pombos e cupidos, Flora, entre as flores de que recebe o nome, Vulcano, de cabelos negros e dorso bronzeado. Aqui, tal como nos afrescos de Cleópatra e em outros mais, a história antiga é interpretada com a alma de um cidadão da faustosa Veneza do Setecentos, e serve de pretexto ao pintor para dar vazão ao seu anseio, jamais apagado, de luz. Regressando a Veneza, ali ficaria somente sete anos. Em dezembro de 1761, em duas cartas, comunica ao patrício Tomas José Farzieti para a Espanha, a chamado do rei Carlos III, a fim de embelezar o Paço. Está com 66 anos. Em 31 de março de 1762, deixando a gerência dos seus negócios particulares ao filho José Maria, sacerdote na Igreja de santa Maria da Saúde, com os filhos pintores, Domínico e Lourenço, e um amigo, José Casina de Pádua, despede-se dos seus e parte, por terra, rumo à espanha. 

                 Tieplo pensa não demorar-se muito tempo fora de Veneza. Terminado o trabalho, deseja voltar à sua terra natal. Ao invés, nunca mais ele a veria. Quantos amigos teve? E quais? Assim como não possuímos notícias exatas sobre sua infância, tampouco conhecemos, através de seus amigos, os primenores de sua vida de cada dia, que ajudam a entrar na intimidade habitual de um artista, o qul é, também e acima de tudo, um homem. Para Tieplo, temos que nos limitar às datas, às suas viagens, às notícias de suas vicissitudes em terras estranhas. Em Madri, dois grandes pintores, o célebre Velasquez e o alemão Mengs, apelidado, com fácil entusiasmo, o Rafael alemão, disputaram, entre si, fama, admiração e honrarias. Na capital espanhola, Tieplo foi alegremente recebido pelo embaixador vêneto, Sebastião Morosni, que ofereceu hospedagem a ele e aos seus companheiros, em sua casa. Depois, Carlos III, para melhormente conservar junto de si o admirável artífice, manda-o contruir-lhe um suntuoso palácio, que ainda hoje traz o nome do grande pintor veneziano. A bondade e a tranquila serenidade de alma, seus modos pacatos, mas sábios, o rosto, que transpira bondade, a boca delicadamente desenhada, o lábio inferior meio saliente, rapidamente conquista o soberano de Madri, que carinhosamente, o chama "Tieplo, o bom". Somente Mengs não nutre simpatia por Tieplo. Na pintura de instinto do outro, repleta de fulgurações e ousadias, entrevê um perigo para sua arte, fria e compassada. Mas a arte de Tieplo, sobre todos os sentimentos de inveja, acaba triunfando na sala do trono, onde, numa apoteose de cores, de luzes, de ousados esboços, aparece a monarquia espanhola, assistida pela religião, pelas virtudes, pelo poder, pela grandeza, e circundada pelas suas províncias. 

               Muito agradaram ao rei Carlos II os afrescos de Tieplo, e, quando estes já se preparava para deixar a Espanha, de volta á sua adorada Veneza, outras encomendas reais o detiveram ali. Devia pintar sete quadros, para a igreja de uma pequena cidade ás margens do Tejo, Aranjuez. Tieplo, como era de seu hábito, lançou-se ativamente à obra. Mas sua sorte mudara. Mengs conseguira cativar o ânimo dos cortesãos do rei. Assim, quando Tieplo escreveu ao secretário do soberano que os quadros já estavam terminados, - e escreveu repetidamente - em 37 de agosto de 1769, solicitando instruçõs para colocar suas obras na igreja, não recebeu respostas; quando ele e seus filhos procuraram o confessor de sua magestade, a fim de receberem explicações por essa estranha e incomum conduta, nem foram recebidos. Um cortina de maledicência e a fria inveja de Mengs impediram ao pintor italiano aproximar-se do monarca, cujo ânimo, com relação a Tieplo, em nada mudara. Essa grande dor, essa afronta recebida, no apogeu de sua fama, quando poderosos e soberamos procuravam e disputavam entre si sua obra, talvez lhe acelerasse o fim.  De fato, em 1770, João Batista Tieplo, repentinamente, deixava o mundo. Carlos III, no intuito de tributar-lhe póstumas homenagens e reparar, ainda que tarde, a afronta que lhe caurasa, ordenou que seus quadros fossem postos, em lugar de honra, na igreja, mas, depois da morte do rei, mãos desconhecidas os tiraram dali, substituido-os por quadros de Mengs, e as obras de Tieplo acabaram dispersas e esquecidas pela Espanha.

                Tieplo preferiu, desde os primódios de sua arte, aos quadros a óleo as grandes composições de afrescos, nas largas paredes ou nos vastos espaços das abóbadas. Seus anjos, seus meninos, suas madonas, seus santos, não se encontram hierarquicamente encolhidos, mas espacejam, livres, por amplos céus, cheios de ar. A contrição, ainda que de uma moldura, era pesada a este pintor, que teria preferido aprisionar o sol num fôrro! Nele não há a preocupação pelo estudo de um detalhe, de uma mão, de um sorriso, mas a harmonia do todo, a harmonia das cores brilhantes e opacas; em todo as as partes de seus afrescos vibra o reflexo do sol. 

             Quais foram seus mestres? Não é possível dizê-lo. Ceramente, ele viu e observou. Sem dúvida, um autêntico auto-didata, aquela espécie rara que parece nascer sabendo. Nele faltava a fantasia de Tintoreto, a límpida serenidade de Veronese, o poderoso vigor de Ticiano, mas sua cor é luz, em seus espaços se sente o ar. Sua alma, toda solar, parece esquivar-se das cenas que representam dor e tristeza. E, mesmo quando representa  o martírio de um santo, é mais majestoso do que trágico. 

                Foi admirável intérprete da Veneza do setecentos; as mulheres encantadoras, com seus leques, o gondoleiro, o homem, com seu negro chapéu de três bicos, os alegres ciganos, as máscaras, ele os encontrou pelo cais, pelas ruas, pelos canais, pelos campos, pelas festas populares. 

               Há nele uma ânsia de calma. Provam-no as vastas composições campestres, onde parece que seu pincel inexausto descansa. Quando a pressa não o impelia, Tieplo era um rigoroso desenhista. Os desenhos de seu atelier, feitos somente por paixão e depois compostos pelo filho, mostram-nos um Tieplo novo. E o desenho é a letra confidencial em que o artista confessa, sem véus, sua alma. Com uma inquietude temperada pela profunda observação, perscruta, atento, todos os pormenores da vida: coisas animadas e inanimadas passam sob seus olhos. Por isso, suas águas-fortes não mais causam admiração. 

              Sua singular grandeza não foi compreendida na Espanha. Mas o espirito do impetuoso pintor e do hábil água-fortista reviveu num vigoroso e original engenho: Francisco Goya. Quando suas últimas obras tinham sido esquecidos, e esquecido também seu nome, um pintor lembrou-o. E isso bastou para todos. 

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1 de mar de 2018
BIOGRAFIA DE VAN GOGH - Nicéas Romeo Zanchett Comentários


           Vincent Van Gogh, como tantos outros artistas que tiveram uma vida romântica ou perturbada, é, talvez, mais conhecido pelo grande público devido às vicissitudes dramáticas de sua existência do que pelo valor de sua obra. 

             Nestes últimos anos, o interesse por ele muito aumentou e sua produção pictórica é bem mais conhecida e admirada do que no passado. Talvez isso seja pelo fato de que Van Gogh está bem perto de nosso espírito, pelo modo de sentir de nosso tempo, mais do que muitos outros pintores seus contemporâneos. 

             Certamente, a sociedade em que vivia, a próspera burguesia holandesa, amante da vida calma, não podia compreender um homem como Van Gogh, violento, arredio, incapaz de adaptar-se às regras de seu tempo e de seu ambiente. Vincent Van Gogh nasceu em 30 de março de 1853, na Holanda, ou melhor, no Brabante setentrional, numa pequena aldeia, em que seu pai era pastor protestante. Ele pertencia a uma família numerosa e, durante toda sua vida, foi ligado por afeto profundíssimo e comovedor ao seu irmão Theo, nascido quatro anos depois dele e que sobreviveu apenas poucos anos ao trágico desaparecimento de Vincent. 

              Após haver estudado um pouco de desenho, foi admitido na cidade de Haia, como caixeiro da Galeria de Arte Goupil, onde também Theo se empregara. Em 1873, Vincent foi transferido para a filial de Londres, mas aqui o aguardava sua primeira desilusão amarga, porque, apaixonando-se pela filha da dona de sua pensão, pediu-a em casamento e sofreu uma recusa, seguida logo de outra, poucos meses depois, e, em seu coração ferido e amargurado, começou a abrir-se a chaga da inquietude e do sentimento de frustração que nunca mais o abandonaram. Depois de passar alguns meses em Paris, voltou a Londres e, a seguir, a Haia, onde se demitiu da galeria de Arte Goupil. Depois de uma breve permanência na casa paterna, seguiu cursos de preparação teológica em Amsterdã e em Bruxelas, mas, desanimado pelo insucessos atribuídos à sua escassa capacidade oratória, abandonou essas tentativas e resolveu dedicar-se ao apostolado, diretamente, pelo exemplo. De fato, repleto de místico espírito evangélico, partiu para Borinage, a região mineira da Bélgica, onde quis compartilhar das míseras condições de vida daqueles mineiros. Ele os reunia, ali, à noite, em uma taberna, e os instruía em matéria religiosa; além disso, renunciava ao pouco que possuía para dá-lo a quem fosse mais pobre do que ele. Mas seu zelo foi julgado excessivo pelos superiores, sua eloquência demasiado candente e precisou interromper sua missão. Assim, um novo fracasso vinha juntar-se aos precedentes e aumentava nele a sensação de derrota. O pai, que foi buscá-lo para levá-lo devolta ao lar, encontrou-o acabado e desanimado.

                Para salvá-lo do máximo desalento, justamente então, nasceu nele a revelação de sua vocação de pintor. Em casa, não permaneceu muito tempo, porque, impelido pela sua inquietação, passou a perambular, indiferente ao frio e à fome, vivendo somente dos poucos auxílios que recebia de seu irmão Theo. Começou a desenhar e, em outubro de 1880, inscreveu-se na Academia de Bruxelas, estudando a técnica do desenho e estreitando amizade com outro pintor. Retornando, por alguns meses, junto ao pai, começou a copiar, do real, figuras de camponeses.

                  Uma nova tentativa de constituir família terminou noutra desilusão, porque uma sua prima, viúva, que ele pedira em casamento, recusou contrair novas núpcias. Um ano depois, outra crise sentimental: uma jovem apaixonara-se por Vincent, mas a família dela se opôs ao casamento com um homem que gozava de péssima reputação, e a moça tentou suicidar-se. 

                  Agora, já as esperanças de viver uma vida serena e normal tinham desaparecido, suas primeiras paixões haviam naugragado e Vincent transferira para a pintura toda sua sede de amor. O pintor Anton Mauve, marido de uma sua prima, aconselhara-o e animara-o nesses seus primeiros passos. Nos anos de 1881 a 1886, retratou, sobretudo, os humildes, inspirando-se na vida dura e mísera dos camponeses. 

                   Van Gogh trabalhava, com ardor, em enorme quarto, que lhe servia de atelier; ali fazia posar seus modelos, mas a gente da terra olhava com desconfiança e com sempre crescente aversão a essa sua atividade. Com a improvisa morte do pai. Vincent precisou deixar aquele ambiente, onde lhe demonstravam, abertamente, hostilidade. 

                   Seguiu para Antuérpia, onde estudou durante alguns meses na Academia, dedicando-se a aprofundar a técnica pictórica a óleo e estudando, com grande interesse, as gravuras japonesas, que lhe produziam grande impressão. Em 1886, Van Gogh juntou-se ao irmão,  em Paris, o qual trabalhava na filial da Galeria Goupil e que o introduziu nos meios artísticos parisienses. A arte de Vincent sofreu, aqui, uma verdadeira revolução. Em Paris, na verdade, ele descobriu a pintura impressionista, feita de cores claras, de tonalidades puras. De fato, naquele período, justamente em Paris, vinha-se impondo uma nova maneira de pintar, não obstante o ceticismo dos ambientes ainda presos às tradições. E Vincent, sempre ansioso por aprender, por experimentar novos caminhos que lhe permitissem melhor exprimir seu mundo interior, seguia com entusiasmo as novas teorias, especialmente no que dizia respeito ás leis do colorido. 

                   Em breve, a luz delicada de Paris não mais lhe bastou; a vida parisiense cansava-lhe o organismo pouco resistente e resolveu partir para o Sul, em busca de uma luz mais ardente de nova inspiração. 

                   Em fevereiro de 1888, partiu para Arles, na Provença, e ali se operou uma nova revolução na arte de Van Gogh. Ele descobriu o sol ardente; embebedava-se de luz e trabalhava encarniçadamente, dia e noite, ao ar livre e no atelier, para traduzir na tela a beleza da paisagem. 

                    A palheta e o toque tinham sofrido uma nova e profunda metamorfose; tudo surgia, agora, invadido de sol e de luz. O assunto dominante dos quadros desse período está representado por "Os Girassóis", pois, realmente, nas tintas douradas dos girassóis, Van Gogh exprimiu o ardor e o esplendor do sol que tanto encantamento em sua alma exerciam. Outro célebre quadro, pintado em Arles, em setembro de 1888, é o "Café à noite". 

                   Vincent sonhava fazer de sua casa o centro de um grupo de amigos artistas, que vivessem em comunidade, como faziam os monges antigos. Covidou para ir a Arles seu amigo Gaugain, que, realmente foi lá. Van Gogh recebeu-o com entusiasmo, mas seus temperamentos eram bastante diversos e seus pontos de vista, mesmo em matéria de arte, assaz discordantes, para que a harmonia entre ambos pudesse durar muito tempo; começaram a surgir os contrastes, as brigas sempre mais acesas. O equilíbrio nervoso de Vincent era perturbado pelo excessivo trabalho, pelo muito beber e fumar. Num café, após uma discussão, que se transformou em briga aberta, Van Gogh, perdendo todo o controle, atirou um copo à cabeça do amigo, que resolveu imediatamente voltar a Paris. Na noite seguinte, Vincent perseguiu o amigo com uma navalha; depois regressando à casa, arrebatado por uma crise de violência, cortou fora o lóbulo da orelha esquerda, como faz o toureiro que amputa a orelha do touro abatido. Este dramatico incidente truncou a amizade entre os dois pintores. Gauguin partiu, e Van Gogh foi internado num hospital de Arles. Vincent recomeçou a trabalhar, apesar da fraqueza crescente, mas o desespero começava a dominá-lo.

              Os cidadãos de Arles protestaram contra aquele tipo estranho e violento e ele foi internado em uma casa para tratamento de moléstias mentais, em Saint-Remy. Aqui, também, ele procurou dominar a desoladora solidão, para não deixar-se envolver pela deprimente atmosfera, e recomeçou a pintar, procurando no trabalho, a salvação da angústia que queria submergí-lo. Pintou, a princípio, o pátio do hospício, árvores cobertas de hera, oliveiras, ciprestes etc. Depois, aproveitando a liberdade que lhe concediam, seu olhar espacejou novamente pelo céu, pelos campos, pelos camponeses entretidos em sua labuta. Quando não podia trabalhar ao ar livre, copiava reproduções de quadros, que Theo lhe enviava, ou, então, retratava doentes, vigilantes, enfermeiros. Nos quadros dessa época, as tonalidades são menos vivas do que nos pintados em Arles, mas o toque é mais violento, pessoal, realmente inconfundível. 

           Em Saint-Remy, em setembro de 1889, Van Gogh pintou um célebre auto-retrato, em que se nota muito estudo psicológico, porque revela, claramente, o doloroso estado de alma do pintor durante aquele infeliz período de sua vida. 

                 Desde algum tempo, Theo casara-se, e Vincent sentia-se sempre mais humilhado e envergonhado por viver à custa do irmão. Finalmente, após alguns meses, como uma permanência mais prolongada no meio de alienados ameaçasse fazer vacilar sua mente já abalada, foi despachado do sanatório. Seguiu para Paris, em busca do irmão, mas a cidade não fora feita para ele, fatigava-o.

                 Theo recomendou-o, então, a um médico amador de pintura, que era amigo de pintores; o doutor Gachet residia não muito distante de Paris e, por isso, Theo esperava que o irmão, vivendo em ambiente calmo e amistoso, pudesse reencontrar a serenidade e a saúde. 

               Vincent partiu, de fato, para Auvers-sur-Oise, e aqui também se dedicou a pintar prados, campos ondulados, retratos de crianças, do médico e de sua filha. Célebre o "Retrato do doutor Gachet", um de seus últimos trabalhos, pintado num momento de sereninade. Mas, tampouco o novo ambiente conseguiu restituir-lhe a calma. Sempre mais forte se fazia nele a convicção de que sua vida houvesse fracassado, e, além diso, receava recair em novas crises de loucura e, numa manhã de domingo, indo para os campos desertos, tentou suicidar-se com um tiro de pistola. A morte, porém, não chegou logo, e ele conseguiu voltar ao Café Ravoux, ao mesmo quartinho que o alojara antes. O dono do café encontrou-o naquele estado. Acudiu-o o doutor Gachet e, no dia seguinte, seu irmão Theo, desesperado. A todos, com a máxima calma, Van Gogh pedia que o deixassem morrer tranquilo. Morreu dois dias depois, em 29 de julho de 1890. 

               A vida efêmera de Van Gogh foi uma luta contínua entre seu temperamento tímido, desajeitado, incapaz de um contato com os demais homens, e seu desesperado desejo de exprimir-se, de comunicar-se com seus semelhantes. 

                Sua luminosa vida de artista foi muito breve, porque somente muito tarde se dedicou completamente à arte, mas aqueles poucos anos bastaram para revelar-lhe a extraordinária personalidade de artista. Em suas obras, procurou, com intensidade, exprimir a si mesmo, revoltado contra tudo quanto fosse convencional e não sentido. Serviu-se do colorido para traduzir, na maneira mais forte e intensa, o que sentia, exagerando os acordes e os contrastes, a fim de obter maior potência de expressão. Se nós observrmos o conjunto das obras de Van Gogh, notaremos a nítida separação entre aquelas executadas na Holanda e as do período francês. Nas primeiras, inspiradas em conceitos sociais, predomina a figura humana. O mesmo impulso que levava o artista a tornar-se um evangelizador entre os mineiros, levou-o a retratar o homem na sua dura e incessante fagida: aquelas curvas nodosas, dobradas no trabalho, desejavam ser uma censura e uma revolta contra a sociedade egoísta e cruel. 

               Na França, Van Gogh dilatou sua visão  de paisagem. À evolução do conteúdo, corresponde a evolução da expressão pictórica. Muda o colorido, que de sobrio se torna luminoso e, depois, francamente, se transforma em uma orgia de amarelo e de azul, como se Van Gogh pretendesse transportar para a terra toda a luminosidade do céu e o calor do sol que havia faltado à sua mocidade de homem nórdico. Mas muda também a maneira de entender as cores; a ordem precisa e retilínea dos toques cede lugar ás pinceladas concêntricas, como que perturbadas por um furacão, o mesmo que arebataria a existência do artista. Vincent Van Gogh pintou centenas de quadros e de desenhos, como se fora tomando pela frenética necessidade de exprimir a si mesmo antes que fosse tarde demais. Durante sua vida, conseguiu vnder apenas alguns desenhos, ao passo que, hoje, suas telas são disputadas por todos os museus do mundo. 

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20 de mai de 2017
OS BORDÉIS NA VIDA E NAS ARTES - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


               Já não existe bordéis como antigamente? Os saudosos afirmam que não.

                Eram luxuosos, acolhedores, dirigidos por madames afáveis e maternais; muitas delas devoradoras da fortna dos frequentadores. 

                 Os bordéis eram uma expécie de prolongamento do lar, onde gravitavam pais de famílias, boêmios, poetas, artistas, escritores,políticos e tantos outros. 

                 O bordel tradicional, com mulheres sentadas na sala à espera do cliente vigiadas pelo olho clínico da cafetina, é coisa rara. A liberação da mulher impôs o declínio destes templos do sexo. Em seu lugar surgiram os motéis, as casas de massagem e alguns hotéis de alta rotatividade. 

                 Na Paris do século XVIII e XIX, tornaram-se famosas as "Sacerdatisas de vênus". Algumas, graças ao seu ofício como a polêmica La Paris, cuja casa era frequentada por Voltaire, entraram para a história. Outras, lembradas ainda hoje, foram La Montigny, La Gaudan, também chamada de La Petitt Contese (Condessinha) que deixara para a história uma correspondência sobre importantes e famosos da velha Paris. Também  eram famosas a La Catiche e La Depont. 

                 No Brasil, guardadas as devidas proporções, também tivemos as nossas "Sacerdatizas de Vênus" que faziam parte do harém voluptuoso da Pensão Richard, célebre bordel localizado na Rua Senador Dantas, que tinha categoria de nobreza devido à alta tarifa que cobrava. Também conhecidas  e confortáveis eram as casas da Tina Tati na Rua Augusto Severo, a de Jane na Rua Silveira Martins e a Ermelinda  da Rua Carlos de Carvalho. Na Rua Mena Barreto existia a casa da famosa Madame France cujo elenco de lindas mulheres contava com a belíssima Pierrôt cujo misterioso desaparecimento nunca fora desvendado. Outras casas, também de grande frequência, eram A Janinne da Rua Cândido Mendes, a Dulce da esquina da Silva Jardim com a Rua da Lapa e a inesquecível casa da simpática Ellisa na Ladeira da Glória número 5 que mais tarde transferiu-se para a Rua Bento Lisboa. 

                  As casas da Rua Alice são mais recentes e, até bem pouco tempo ainda teimavam em funcionar nos moldes dos anos dourados dos bordéis. Acho que a violência,  que se abateu em Santa Teresa, acabou expulsando-as definitivamente. Quando cheguei ao Rio, em 1972, elas ainda funcionavam com certo glamour e boa frequência. Lá se podia dançar, beber e  assistir shows ao vivo em companhia de belíssimas mulheres. 

                  Muitas Madames e Cortesãs fizeram fortunas que ainda hoje sãos desfrutadas por seus herdeiros. 

                  No dicionário Erótico de Pierre Guiraud, de Paris, há 70 verbetes para designar o têrmo bordel e 398 para prostituta. No dicionário brasileiro, formal e informal, a variedade também é grande: bordel, prostíbulo, convertilho, serralho, pensão, ren-dez-vous, puteiro, casa de quenga, currutela, além de muitos outros.

                  Por mais estranho que possa parecer, os bordéis eram lugares considerados de muito respeito. Frequentados por importantes chefes de fampilia que faziam do seu local preferido uma espécie de prolongamento do lar burguês. Alí estes senhores iam encontrar-se com as respeitosas sartrenas, sem infringir a lei e a moral dos bons costumes da conservadora época. 

                 Não é de se estranhar que os bordéis tenham servido de inspiração para escritores, poetas e artistas que os frequentavam. 

                 Algns pintores, desenhistas e caricaturistas reproduziram muitas cenas da vida do bordel. Os mais conhecidos são, sem dúvida, Tououse Lautrec e Degas. Também temos Constantin Guys, chamado por Baudlaire de "o pintor da vida moderna". Picasso usou o tema numa de suas obras mais famosas, as "Demoiselles d'Avignon", que já foi reproduzida milhares de vezes. Um dos mais fascinados pelo assunto foi o pintor Pascin e Picart Le Doux  que pintava também os pobres meritícios dos portos. 

                 Toulouse Lautrec e Degas pareciam divertir-se com a forma de viver de suas modelos, bem como a vida e atitude canália dos seus freguess. 

                 O tema seduziu também muitos escritores e poetas. Benjamim Constallat focalizou-o no seu romance "Depois da Meia Noite". Também o escritor acadêmico Origenes Lessa com "A Noite Sem Homem", cuja trama se passa à beira da estrada, local conhecido como o Quilô (quilômetro seis).  O romance "Dona Anja" de José Guimarães, onde o autor descreve uma famosa personagem que após vivência matrimonial, ao enviuvar transforma sua casa num prostíbulo frequentado pelo prefeito, vereadores, professores, delegados e muitas outras autoridades acima de qualquer suspeita. Os romances, cujo tema era muito escandaloso para a época, ruborizaram a face dos mais puritanos. 

                Atualmente, apesar de condenada pela religião e perseguida pelos govêrnos, a venda de sexo é uma atividade com enorme capacidade de sobrevivência. Alguns países tentam reprimir, mas a tendência é legalizar a prostituição, pois de fato somos escravos dos hormônios. Na Austrália, Alemanha, Nova Zelândia e em alguns outros lugares já foi legalizada. Nestes países bodéis tem de ter licença para funcionar como outro comércio qualquer. A idade mínima exigida é de 18 anos. Na Holanda só é permitida fora das áreas residenciais - uma espécie de Pompéia moderna.

                No Brasil, como sempre, impera a hipocrisia. No Rio de Janeiro e  tamém outras cidades, muitos apartamentos são utilizados para encontros chamados de clandestinos. O princípio é sempre o mesmo: a dona do imóvel (cafetina) recruta as "meninas" e divulga seu trabalho em anúncios de jornais. As mais organizadas tem até book e agentes que procuram interessados. Hoje a internet deu outra dimensão a este trabalho e facilita a busca de novos clientes. Muitas possuem ótimos sites com fotos das candidatas em várias posições; alguns trazem até descrição das especialidades de cada "menina". 

                A falta de legalização dificulta o controle do Estado e isto trás insegurança e muito sofrimento, tanto para as profissionais do sexo como para jovens sonhadores e indefesas. Muitas garotas lindas migram do interior do Brasil para as grandes cidades em busca de um espaço no mercado de publicidade, desfiles, teatro, cinema e, pela falta de dinheiro para se manterem acabam vítimas das tais agenciadoras ou das casas de massagens. É umm problema social, cultural e de saúde que precisa de uma urgênte solução. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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1 de mai de 2017
A ARTE E A MORTE - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


              Em toda a história da humanidade a arte sempre foi utilizada para registrar a morte. 

                 Nas imagens do inferno a arte é utilizada para mostrar o terror, capaz de aprisionar o coração e a mente do povo. 

                 A dois mil e quinhentos anos o povo Etrusco - Itália - utilizava a arte para transmitir mensagens reconfortantes de uma vida eterna. A morte era a prazerosa esperança de uma nova vida. Os túmulos encontrados nas escavações mostram imagens reconfortantes de uma vida eterna. Mostram também,contraditoriamente, imagens de demônios com personagens estranhas apoderando-se dos corpos, provavelmente de malfeitores. 

                No egito antigo, os túmulos dos Faraós são um exemplo muito conhecido do uso da arte na vida e na morte. 

               O que é importante observar é que a arte sempre foi utilizada para dominar a mente. Os nazistas usavam um crânio e dois ossos cruzados; os Astecas construíam pirâmides mostrando várias camadas sociais com esculturas de crânios que registravam a história de sacrifícios humanos. 

               Jesus Cristo pregado na cruz é o símbolo mais poderoso e mais intenso que mostra o horror da morte e ao mesmo tempo a esperança na salvação e vida eterna. Duas formas opostas: dor, sofrimento e a confortante subida aos céus. As obras de El Greco e Botticelli estão repletas de imagens que mostram estas contradições de maneira genial. 

               A igreja cristã sempre soube utilizar a arte para dominar a mente humana. Outras igrejas que a imitam ou a seguem também utilizam a arte para pregar suas crenças. 

Nicéas Romeo Zanchett  >> http://romeozanchett-desenhos.blogspot.com.br

 

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3 de abr de 2017
A ARTE DOS TEMPLOS INDUS - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


               Ainda que hoje em dia estejamos vivendo uma época de liberdade sexual, também é verdade que antigamente os povos do Oriente já defendiam essa liberdade de maneira irrestrita. Inúmeros templos do prazer foram descobertos nestas últimas décadas (principalmente na Índia), fornecendo subsídios aos pesquisadores para o entendimento das origens do que hoje se poderia chamar de sexo sem barreiras.

               A observação das imagens e inscrições desses templos leva-nos a concluir que os homens e as mulheres de hoje se entederiam sexualmente muito melhor se estivessem fisicamente preparados para isso, corporalmente livres e criativamente acesos.  

               Se os homens precisam de sua potência sexual para satisfazer as mulheres, elas precisam do corpo belo para seduzir os homens. 

                As esculturas indianas mostram que, já naquele tempo, o sexo era praticado em diversas posições: por cima, por baixo, pelo lado, pela frente, por trás, de cabeça para cima ou para baixo, em pé, sentado, inclinado, devagar, sodomizando, masoquizando e até barbarizando sua parceira. Resumo: Os homens de antigamente também eram machistas iguaizinhos aos de hoje. 

               Nos templos indùs que foram preservados, podemos ver tudo isso e muito mais. É parte de uma história milenar cujo entendimento estamos apenas em fase inicial. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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3 de abr de 2017
A ARTE DO EROTISMO - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


               Há milênios que eros e sua rica simbologia vem atraindo, cada vez mais, a atenção de artistas e cientistas. Quais são os fundamentos desse interesse eterno e crescente?

               Eros representa um dos principais subsídios da imaginação clássica, cujos mitos e alegorias enriqueceram, de modo até hoje não superado, as letras e as artes.

               Na história das artes, Eros (amor ou cupido entre os romanos) é o leitmotiv de uma imensa e requintada iconologia, estampada na cerâmica, na gravura, no afresco ou na pintura.  Sem falar na escultura que traduziu em formas harmoniosas e delicadas, sempre vizinho da mais explícita sensualidade. Não é sem razão que Eros é filho de Afrodite, que por sua vez nasceu das ondas do mar, fecundadas pelos esperma de Ouranes. 

               O trabalho de Eros é a busca da unidade social, da integração humana. Em contrapartida, Eros é o responsável pela criação de um tabu, talvez o mais incoerente de todos. 

               Sexualidade, instinto e conservação formam o triângulo da nossa existência propriamente dita. O tabu vai significar uma proibição convencional, de maior ou menor repressão, conforme os costumes ou a moral dos tempos e do local.  Age particularmente contra a sexualidade, a única das funções do organismo animado, segundo Freud, que assegura o enlace do indivíduo com a espécie. 

               Diante disso tudo ficamos imaginando o que representa a arte erótica? 

               Para os sábios representa idéias; 

               Para os ignorantes representa pornografia barata, papel, tela, pedra, madeira, concreto, etc. ;

               Para os orientais representa as forças vitais dfa criação;

               Na verdade as cenas de atos eróticos amorosos representam muito mais do que está visível para o olho profano. O oriente, cuja cultura é milenar, desconhece o nosso conceito do pecado original, e a união sexual é, deste tempos imemoráveis, símbolo das forças vitas da natureza. O prazer do gozo é a ação divina da criação, já expressa no "Rig Veda", de 1500 anos atrás. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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1 de abr de 2017
AMOR E ÓDIO - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


             Como Nelson Mandela, precisamos aprender perdoar sempre; como São Francisco de Assis, que tanto amava, protegia e se compadecia dos animais, precisamos de mais compaixão. 

             Todas as paixões podem ser excitadas em nós sem que, de maneira alguma, percebamos se o objeto que as origina é bom ou mau. Temos amor pelas coisas que se nos apresentam como boas e convenientes para nós. Todavia, aquelas coisas que se nos afiguram prejudiciais aos nossos interesses, nos levam a considerá-las como más e nos excitam o ódio. 

             Os remorsos são frutos de nossas ações impensadas. Tal como precedentes paixões, não dizem respeito ao futuro, mas sim ao presente e ao passado.

             A glória nasce da opinião favorável que os outros possam fazer do bem que em nós existe, tal como a vergonha é a censura que possam fazer-nos pelo mal que tivermos praticado. 

             O mal feito por alguém para alguém que não sejamos nós apenas excita nossa indignação, enquanto que aquele que nos é feito, além da indignação, desperta em nós a cólera e o ódio. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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Abaixo - Escultura em relevo de Nicéas Romeo Zanchett

 

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Nicéas Romeo Zanchett Rio de Janeiro - Brasil Copacabana Artmajeur Amor e ódio

 

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1 de abr de 2017
PIETRO ARETINO - O POETA PORNÓGRAFO DA RENASCENÇA - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


                Aretino, poeta italiano e pornógrafo da Renascença, nasceu em Arezzo no ano de 1492; morreu em Veneza em 1556. Quando jovem, Pitro Aretino foi um conhecido vagabundo, cantor de rua e ajudante de carrasco. Com vinte e quatro anos tornou-se criado de Agostinho Chigi, banqueiro dos papas renascentitas. A pena afiada de Aretino era uma arma perigosa quando se tratava de defender interesses políticos ou financeiros de seus amos. 

                Nenhum segredo de alcova lhe era desconhecido. Pagavam-lhe pelo que escrevia e também pelo que deixava de escrever. Mesma forma de agir de certos jornalistas do nossos dias. 

                Aretino publicou sonetos sob o título "As diferentes espécies de volúpias" nos quais descreve 36 posições do ato sexual. 

                Giulio Romano, aluno preferido de Rafael, ilustrou-as com 16 desenhos maliciosos. Veja as ilustrações abaixo. 

                Os inúmeros inimigos de Aretino tudo fizeram para que ele caísse em desgraça. Em sua defesa ele escreveu: "Parece que devíamos pendurar no pescoço, como um medalhão, aquela coisa que anatureza nos deu para a manutenção da espécie". Ela me fez e eu sou bem feito. Ela gerou homens como Ticiano, Miguel Ângelo e também papas, imperadores e reis. Ela deu nascimento às minhas mais lindas crianças, as mais belas mulheres e os mais santos santificados. Por esta razão, devíamos dedicar-lhe festas e honras de adoração, em vez de envolvê-la em pano e seda..." 

               Mais tarde, Aretino estabeleceu-se em Veneza, onde, como fizera em Roma, escreveu, instigou e intrigou. Com o dinheiro ganho por seus pafletos e extorções comprou um palácio no Grande Canal. 

               Ticiano, seu maior amigo e de quem era agente comercial, retratou-o em diveras ocasiões.

Príncipes, a quem Aretino difamara, atentaram contra sua vida, tendo ele sido agredido e apunhalado por várias vezes. Entretanto, Aretino teve o fim que merecia: quando se divertia com amigos e terminava de contar uma anedota pornográfica, teve um ataque apoplético. Acidente vascular cerebral.

              Viver a vida que se tem é o mais importante. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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pietroaretinotitian.jpg PIETRO ARETINO - O POETA PORNÓGRAFO DA RENASCENÇA - Por Nicéas Romeo Zanchett

 

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1 de abr de 2017
A ARTE E AS RELIGIÕES - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


              A arte sempre foi um poderoso instrumento a serviço das religiões. 

              A lenda bíblica de Adão e Eva, "pais da humanidade" é, conforme seu sentido primitivo, uma afirmação da importância e necessidade da união sexual. Ela é entendida da mesma maneira, pelo antigo e pelo atual judaísmo. Devido à influência da filosofia grega, o texto do Velho Testamento sofreu novas interpretações, convertendo-se aquele primeiro ato sexual do homem num "Pecado Original". Essa concepção não corresponde à Bíblia. De maneira geral pode-se afirmar que a hostilidade observada no cristianismo contra o sexo não provém da Bíblia e sim da filosofia helênica. A interpretação errônea dos textos sagrados originou certa afirmação de Santo Agostinho, na qual ele descreve a geração no paraíso como um ato sem prazer físico. Também não se encontra na Bíblia qualquer passagem que justifique o desprezo à mulher, mesmo se considerarmos a participação de Eva no "Pecado Original". Na realidade, o desprezo à mulher começa no Banquete de Platão, onde o fílósofo grego declara que a mulher é mais fraca e menos perfeita que o homem porque possui "menos alma". Uma grande burrice de Platão. 

            Ao longo dos séculos, todas as religiões utilizaram-se de alguma forma de arte visual para pregar e convencer seus fiéis sobre a veracidade de suas fábulas. Hoje, com o advento da internet, as religiões estão perdendo espaço; tornou-se mais fácil conhecer a verdade e finalmente libertar-se da lavagem cerebral aplicada pelos líderes das igrejas. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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1 de abr de 2017
O HOMOSSEXUALISMO NAS ARTES - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


               A grande arte universal sempre mostrou o homossexualismo; muitas vezes bem explícito e outras de forma disfarsada. 

               Pintores como Renoir com "Les Baigneuses"; Luca Giordano, mestre do barroco de Nápoles com "Betsabé no Banho (Museu do Prado - Madri) mostra o carinho das mulheres com a Betsabé;  o Banho de Diana, de Boucher (Museu do Luvre - Paris); o pintor flamengo Rubens (1577 -  1640) em "A Ninfa de Calisto; O Banho Turco de Ingres; Courbet e suas amigas; Toulouse Lautrec que pintava suas amigas prostitutas além de inumeros outros artistas célebres. 

               Também na arte literária temos casos muito intensos. O poeta Lord Byron fazia apologia da bissexualidade e dizia que o que era aceitável para a aristocracia nem sempre valia para as classes mais baixas. 

               As culturas romanas exaltavam a beleza do corpo masculino com seus belos jovens lutando e exibindo seus corpos musculosos e bem torneados. Também a arte de Atenas que cultuava seus belos jovens seminus.

               Esse culto ao corpo pode ser antigo, mas continua existindo nas modernas academias de musculação e de lutas com "machos" musculosos e exibicionistas cultuando o próprio corpo como um objetivo de vida. 

               O homossexualismo sempre foi retratado e continua sendo, mas, nos dias atuais, poucos artistas se encorajam a mostrar esta realidade. 

Nicéas Romeo Zanchett 

 

               

 

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1 de abr de 2017
A ARTE MILENAR DA ÍNDIA - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


MAITHUNA - O IOGA DO SEXO

Mistério, fascínio e misticismo.

              A história da Índia começa com Alexandre Magno no ano 326 a.C.; entretanto, antes dele existiu uma civilização trimilenar avançadíssima chamada de "Proto-História" que os especialistas vem pacientemente reconstruindo. 

              A Índia moderna que conhecemos se divide em duas fases: a de dominação inglesa e a Índia independente que se iniciou em 1948, quando Nerhu assumiu a presidência do país. 

              Em Ellora estão algumas das grutas mais bonitas do mundo, transformadas em colossais santuários. São 34 grutas, sendo 12 Budistas e 22 Bramânicas. Ali existe também um impressionante templo dedicado a Shiva. 

              A Índia é um verdadeiro "Museu de Arte Milenar".

              Em Khajuraho se encontram os famosos templos com estátuas representando o amor sexual. Porque foram construídas é um mistério que perdura ao longo dos séculos. Ainda hoje nossa cultura ocidental não consegue entender a sexualidade ali representada em esculturas tão exóticas que a princípio eram vistas como pornográficas. Felizmente, na medida em que os mistérios vão sendo desvendados, vamos compreendendo e podemos finalmente perceber que a pornografia estava apenas nos olhos de quem as via.

              Apesar da destruição promovida pelos invasores, ainda hoje existem 22 templos dedicados ao amor. O "ioga sexual ou Maithuna" é um tema frequente nas esculturas Hindús. As figuras Maithuna não podem ser vistas como orgias rituais; na verdade representam a eterna união do espírito com a natureza. A sexualidade é espiritualizada, onde o homem e a mulher se complementam mutuamente. O amor sexual é uma forma de adoração, onde os parceiros representam, um para o outro, a reencarnação da divindade. Meditar sobre o assunto nos leva a perceber que somos seres em correlação e não em separação. O amor físico implica na verdadeira descoberta do parceiro. 

O amor entre o homem e a mulher é o casamento entre o céu e a terra. A energia sexual do casal manifesta-se como energia espiritual com o poder divino de procriar. 

A semente unida à terra fecunda o campo, assim como o sêmem unido ao óvulo fecunda o ventre que produz o milagre de uma nova vida.

Nicéas Romeo Zanchett

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1 de abr de 2017
A ARTE E O PRAZER - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


               O primeiro objetivo da arte é o prazer. O prazer que o artista sente ao produzir sua obra e o prazer de quem a vê. 

               As artes são, por excelência,  ciência e luxo. 

               É difícil explicar o prazer que sentimos diante das criações de um grande artista. Podemos gozar da obra de arte sem possuí-la. Este sentimento não tem nada de comum com o gozo dos bens pessoais e nem com o amor próprio que todos temos.

               Quando a obra de arte se transforma em mito eterniza seu criador. 

               Ao vermos a arte de um grande artista sentimos o puro prazer estético sem nenhuma cobiça ou ideia de posse. Este é talvez o mais nobre dos sentimentos que podemos experimentar.

               O verdadeiro artista vê a vida e o mundo de uma maneira diferente. Sua forma de expressar os sentimentos, sonhos e entendimentos podem até colidir com o de outras pessoas que não conseguem entendê-lo. 

               Quando apreciamos uma obra de arte entregamo-nos e entramos no mundo do seu criador em perfeita comunhão com todos os que a admiram. É um momento de puro amor, sem nenhum sentimento de ciúmes ou egoísmos. A verdadeira obra de arte é um bem público que não pertense a ninguém e ao mesmo tempo pertense a todos que a vêem. 

              Nicéas Romeo Zanchett 

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Obras ilustrativas de Van Gogh,e Nicéas Romeo Zanchett,

 

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30 de mar de 2017
CIRURGIA PLÁSTICA E ADEREÇOS - A BELEZA IDEALIZADA Comentários


                Os ideais de beleza tem variado em verdadeiros movimentos cíclicos. Períodos diferentes tem adotado conceitos de beleza de outros períodos com formas e ideias em cada tipo de cultura. Isso é facilmente reconhecível na beleza da mulher de Creta, que tem cintura bem fina e cabelo crespo; na dignidade austera e beleza artificial da egípsia antiga e na delizadeza e sutileza das orientais. 

                 A cultura greco-romana deu ênfase à beleza clássica, com proporções perfeitas e simplicidade natural. 

                 Na Idade Média, o doce e suave gênero da Madona tornou-se parte integral da expressionismo religioso. É nesse contexto que artistas, a serviço de religiões, criaram belíssimas obras tendo a beleza da mulher como musa inspiradora. 

                 A França contribui não só com o tipo elaborado e ao mesmo tempo superficial da cortesã do século XVII, mas fez com que a mulher francesa fosse sinônimo de beleza copiado em várias partes do mundo.

                A veradade é que desde a pré-história o homem aprendeu a modificar sua imagem a seu gosto. A documentação a esse respeito é vesta, tanto escrita quanto nas descobertas arqueológicas que datam de 7.000 anos a.C. Para adornar orelhas, lábios e narizes, os povos primitivos perfuravam e sacrificavam o próprio corpo. 

                Essa compulsão humana de tentar melhorar a natureza tem tido modulações com a história do homem, passando por pressões autoritárias, guerras, revoluções, pressões religiosas e fanáticas, além de graves períodos de austeridade. Desabrochou nas épocas das monarquias e impérios, em tempos de paz e prosperidade, nas sociedades safisticadas e onde existem as classes mais privilegiadas. Os fenômenos de estética, com suas várias correntes, são dramaticamente ilustradas pelos anos que antecedem e pelos que seguem a Revolução Francesa. 

                Durante o período de Luiz XVI, a extravagância era uma constante, e os cuidados com a beleza física eram considerados uma arte. O ódio à aristocracia, durante e depois da Revolução Frncesa, era tão grande que as perucas, os perfumes e tudo que fosse sensual eram enormemente desprezados. 

                O apogeu do culto à beleza se deu no final do século XX, quando foi ajudada pela democracia através da liberdade individual de expressão, influenciada economicamente pelos efeitos da propaganda, pelas facilidades de novos produtos, pelos símbolos do "status" e pela economia sadia. Em algumas sociedades, com forte conceito moral, foram feitas publicações contra o excesso de atenção dado á estética. Paralelamente, nas sociedades mais liberais e em algumas até mundanas, vários apelos tem sido feitos no sentido de que as pessoas precisam dar mais atenção a seu aspecto físico.

                O ser humano é constituído pela relação entre a sua personalidade (imagem interior) e a aparência física (imagem experior). A unidade dessas imagens ajuda o homem na busca da felicidade. Por isso mesmo a preocupação com a beleza nesceu com o próprio homem. Ele aperfeiçoou suas técnicas de acordo com idéias estéticas que variam com o tempo. 

                A cirurgia plástica que, como vimos, já era praticada a mais de 6.000 anos vem constantemente sendo aperfeiçoada. Ela tornou-se um dos setores cirúrgicos mais desenvolvido, pois, em suas modalidade - a reparadora e a embelezadora - consegue preservar, corrigir ou ajudar a natureza, tornando o ser humano mais belo e confiante em si próprio. 

                Devido ao grane progresso cintífico, a cirurgia plática tornou-se um indústria altamente lucrativa. Como consequência, surgiram milhares de méicos milagreiros, cujo objetivo é olucro fácil. Por outro lado, a indústria de cosméticos e acessórios facilitou o acesso de charlatões aos diversos produtos que deveriam ser utilizados apenas por especialistas. Diariamente, em todo o mundo, as paginas políciais estampam notícias sobre graves problemas e até mortes em virtude do mau uso de técnicas e produtos que hoje são facilmente encontrados. 

                A história da beleza e sua filosofia no mundo continua, e a operação plástica é apenas um pequeno fragmento do complexo mosaico das práticas da beleza que tem moldado nossos hábitos e costumes. Essa filosofia, por definição, tem como base a qualidade de dar prazer aos sentidos e à mente. Suas raízes, necessariamente, voltam aos princípios da civilização, emaranhados na grande dimensão da experiência humana que é associada com os prazeres sensoriais e intelectuais. O significado e a extenção dessa experiência desafiam uma análise específica,e, sem dúvida, marcam um profundo padrão instrutivo de necessidade e reações que se refletem na plástica facial e nas ilimitadas ramificações da estética em geral. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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26 de mar de 2017
MAURICE UTRILLO - O BOÊMIO DE MONTMARTRE Comentários


             Maurice Utrillo nasceu em Paris no dia 25 de dezembro de 1883. Filho natural de Suzanne Valadon, que começara a vida como acrobata em feiras e parques de diversões; mulher linda, logo tornou-se modelo de artistas famosos como Renoir e Puvis de Chavanne, além de revelar-se uma excelente desenhista intuitiva. Conheceu e apaixonou-se pelo boêmio Maurice Bossy, que costumava pintar amadorísticamente, e com ele teve o filho que viria a ser um dos maiores pintores do século XX. No entanto, o pai se recusou a reconhecer o menino. Suzanne, indignada com sua atitude o deixou e em seguida conheceu o escritor espanhol Miguel Utrillo que estava em Montmartre atraído pela pintura. Apaixonado por Suzanne logo aceitou registrar Maurice como seu filho legítimo. 

             O bairro boêmio de Montmartre, reduto dos artistas de todas as correntes, era o mundo de Maurice Utrillo. Foi neste bairro que, no final do século XIX e princípio do século XX nasceram quase todos os movimentos que iriam revolucionar o mundo artístico. Maurice amava profundamente as pequenas ruas, ladeiras e "bistros" de Montmartre e, como ninguém, soube registrar nas telas toda a sua beleza, cor e luz. 

             O jovem Maurício nunca havia pensado em ser pintor. Mas, tendo se tornado alcoólatra, como era seu pai verdadeiro, foi internado aos 18 anos num sanatório de doentes mentais para curar-se do vício. Ali, um médico amigo de sua mãe lhe aconselhou pintar, apenas como terapia ocupacional.

             No começo não demonstrou muito interesse, mas pouco depois seus dons artísticos viriam à tona. Quando melhorou e teve alta, instalou-se em Montmartre, onde a mãe costumava visitá-lo. Nessa época Suzanne separou-se de Miguel Utrillo e foi viver com o pintor André Utter. Não demorou muito para que Utillo voltasse a beber. Para manter o vício voltou a pintar. 

             A arte fervilhava em Montmartre e os donos de "bistros" aceitavam quadros de jovens pintores em pagamento de refeições. Utrillo tinha muita habilidade para negociar suas próprias telas e, sabendo disso, vários outros artistas passaram a lhe confiar esta tarefa. Foi aí que tornou-se um "marchand" de outros grandes artistas. 

             A princípio as obras de Utrillo eram muito influenciadas pelo trabalho de Pissarro e Sisley. Mas, pouco a pouco foi criando sua própria personalidade artística e acabou sendo considerado o pintor da cidade de Paris, mais precisamente do bairro de Montmartre. Era minucioso e exato na sua maneira de pintar. Seus quadros tinham muita luminosidade e colorido que, de forma magistral, sabia transportar toda a beleza do bairro para a tela.  

            Certa ocasião, o crítico de arte Edmond Joloux, que o vio pintando em 1925, assim se expressou: "Sua tela era primeiro coberta por um desenho geométrico traçado com as maiores minúcias. Depois de terminar o desenho, ele começava a colocar, com grande precisão, a seleção das cores que iriam constituir o quadro... e nunca mudava os tons, porque a composição já estava inteiramente pronta dentro de sua própria cabeça". 

           Muitas vezes seus quadros eram baseados em fotografias. Certa feita, Emile Bernard lhe deu uma vista de Toulouse e Utrillo a transformou num de seus mais célebres quadros. 

            Nas obras de Utrillo aparecem muitas igrejas de Paris, entre elas a do Sacré Coeur, em Montmartre; a de Notre-Dame; de Saint-Medard; a de Saint-Gervais, etc. Isto mostra seu lado profundamente religioso. Tinha verdadeira adoração por Santa Joana d'Arc e sempre carregava consigo uma estatueta dela, fundida em prata. 

            Por volta de 1919, aos 36 anos, Utrilo já era um pintor famoso. Costumava passar longos períodos num castelo em Saint-Bernnard, perto dos Alpes, adquirido depois de uma crise em que tentou suicidar-se, ferindo-se gravemente. Nessa ocasião seus quadros alcançavam preços bastante altos. Depois de algumas temporadas no campo, viagens à Córsega e ao sul da França, instalou-se numa casa confortável em Montmartre, decidido a levar uma vida mais calma. Em 1935, aos 52 anos, apaixonado por Lucie Valore, casou-se mudando com ela para Le Vérsinet, uma cidade prinvinciana com características muito diversas  da sua tão amada Montmarte. 

            Três anos apos seu casamento morre sua mãe, Suzanne Valadon, de quem ele sempre fora muito dependente. Seu sofrimento foi amenizado pela sua, igualmente dedicada, esposa Lucie que sempre estava ao seu lado. 

           Embora sentisse muito a morte da mãe, continuou seu trabalho incessantemente até a morte aos 72 anos, no dia 5 de novembro de 1955. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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19 de mar de 2017
MENTE CRIATIVA - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


             A vida é energia criadora. Criar, nada mais é do que imaginar e por em prática. A imaginação com prática é a força motriz que molda o mundo em que vivemos. 

            Pascal disse: "A imaginação dispõe de tudo: cria a beleza e a felicidade que são tudo neste mundo".

            Precisamos compreender somos uma forma de vida e, como tal, somos energia criadora. A mente Cósmica dotou o homem com poderes naturais de criação física e espiritual, como também com o poder diferenciador da razão. 

            Somos todos criativos, mas o que diferencia o criador do mero espectador é o querer. Só mostra criatividade que cria. 

             Não se deve confundir criatividade com talento. Todos nascem criativos, mas em cada um existe uma semente diferente que é o talento. Não existe dois talentos exatamente iguais, tal como não existe feições faciais, impressões digitais e personalidades iguais. 

             A mente é um dos poderes invisíveis e é tão complexo que nossa inteligência ainda não é instrumento capaz de compreender sua forma estrutural e operacional. Os pensamentos criam tudo, desde os atos mais simples, como, por exemplo, um gesto ou um sorriso, até os projetos complexos e mais sofisticados que exitem. 

             Ninguém pode ver o ar, mas todos sabem que ele existe e conhecem seu poder, Também a mente Universal é invisível e tem poderes ilimitados e desconhecidos, mas ela só é capaz de produzir ação se o mentor acreditar no que quer conseguir. É aquilo que comumente chamamos de fé. A fé a confiança em alguém ou alguma coisa. Sem este poder os seres humanos já teriam sido extintos hà muito tempo. A fé - acreditar no que deseja - é o que leva as pessoas ao êxito. 

             "O feitiço e encantamento é o poder que dá ao indivíduo a possibilidade de transformar seu mundo num novo mundo de ordem e prazer. Torna-a a mais valiosa de todas as faculdades humana." Disse Frank Barron.

             A imaginação é o pensamento criador e, como tal, impressindível para se alcançar sucesso. O talento e a oportunidade são importantes, mas a concentração e perseverança são indispensáveis para se alcançar o sucesso. O talento e a oportunidade são importantes, mas sem concentração e perseverança nada acontece. 

             Nossas vidas são permanentemente afetadas pelo que pensamos. o pensamento existe e é uma forma real, mas invisível. Portanto, tome muito cuidado com o que pensa. 

              É difícil defenir o que é "pensar". Pensar no futuro é antecipar; pensar no passado é recordar; pensar no presente é viver e resolver os problemas cotidianos. 

              A maioria das pessoas acha que o cérebro é o intrumento que cria os pensamentos; na verdade não é. Os pensamentos vem da imaginação e ninguém sabe de onde e nem porque. Existem teorias e pesquisas que indicam que ele vem de alguma forma misteriosa do universo cósmico. O cérebro é o instrumento que recebe esta imaginação e dá ordens ao corpo para agir. Quando o cérebro é bom e saudável ele tem maior capacidade de receber essas energias invisíveis. Gênios como Einstein tem um cérebro poderoso e capaz de receber energias - imaginação - para criar grandes coisas. Pensar com clareza e eficiência é o maior dom de todo o ser humano. É pelo pensamento - imaginação - que o homem se tornou superior aos outros animais. 

              Pensar é uma arte que, tal como a música, a pintura e a literatura, deve ser constantemente praticada. Muitas vezes nosso pensamento é nebuloso e falho, mas pior do que isso é não pensar. 

             Geralmente o motivo porque não conseguimos pensar com clareza é pelo fato de que ainda não possuímos claro conhecimento do assunto. O ponto de partida de um pensamento é o conhecimento específico daquele assunto. 

             Falando de si mesmo, George Bernard Shaw disse: "Há pouca gente que pensa mais do que duas ou três vezes por ano. Conquistei uma reputação internacional porque penso uma ou duas vezes por semana". 

              O homem do mundo moderno geralmente trabalha de forma repetitiva e sem necessidade de pensar. Normalmente isto representa um terso de sua vida que acaba influenciando o restante, criando o hábito de viver automaticamente. A imaginação e criatividade ficam prejudicadas. 

              "Pensar é o trabalho mais difícil que existe e provavelmente é por isso que tão poucos se empenham nele", disse Henry Ford. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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FILOSOFIA > Clique > http://artesplasticasliteraturaefilosofia.blogspot.com.br

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As obras abaixo são do Romeo Zanchett 

 

32510-105440779501943-103502313029123-47671-8211784-n.jpg MENTE CRIATIVA - Por Nicéas Romeo Zanchett

 

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Nicéas Romeo Zanchett Artmajeur Rio de Janeiro - Brasil Copacabana Mente Criativa

 

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19 de mar de 2017
O PODER DA ARTE - Por Nicéas Romeo Zanchett Comentários


               Desde tempos muito remotos que a arte vem sendo utilizada para persuasão. Tanto na publicidade comercial como na política ela é um instrumento de enorme poder. Este instrumento tem sido responsável pela história do mundo ao longo dos séculos. A arte, com suas técnicas visuais, tem garantido o poder a muito ditadores. Os políticos utilizam-na para se perpetuarem no poder, portanto, é através dela que os rumos da humanidade foram traçados. 

               A arte bem planejada penetra na mente humana num forma de persuasão subliminar. Guerras e massacres tem acontecido graças ao mau uso dela. 

               A arte de transmitir confiança; a arte de mostrar um futuro promissor; a arte como adorno pessoal; a arte da aparência idealizada, digna de um grande rei, que pode anganar a todos; a arte de mostrar as imagens que queremos ver; a arte usada para contar uma mentira política; a arte nos palácios, com símbolo máximo de poder; a arte de transformar e realçar os feitos medíocres de certos políticos; a arte de criar uma imagem carismática de um rosto odioso; a arte de transformar um ditador sanguinário numa pomba da paz. Portanto, a mesma arte que cria a pomba branca da paz cria também o símbolo da guerra. 

              DARIO -  O Grande rei da Pérsia (assumiu o poder na Pércia 521 a.C e morreu no Egito em 468 a.C.) já usava a arte para persuadir. Foi ele o verdadeiro inventor do logotipo que usamos até hoje. Seu objetivo foi criar um símbolo que o representasse em todos os lugares para sempre ser lembrado por seus súditos. 

              ALEXANDRE - O Grande - Rei da Macedônia ( nasceu na Macedonia 356 a.C, morreu na Babilônia em 323 a.C). Ele aperfeiçoou o logotipo de Dario, colocou a imagem do seu rosto nas mãos de todos através da moeda que mandou cunhar em sua homenagem. 

              AUGUSTO - (Caio Júlio César Otaviano) mandou esculpir sua estátua mostando um imperador humilde, com os pés descalços e as mãos vazias. A imagem de um homem comum que só queria o bem e a paz para seu povo. A arte o ajudou apaziguar o império e salvar Roma. Mais tarde fundou um sistema de ditadura que duraria cerca de 400 anos.

              Em nossos dias a arte ganhou asas na mídia e na internet. 

              Nas eleições amerricanas, tal como nas nossas no Brasil, a arte é o instrumento para persuadir e induzir a êrro os eleitores. A verdadeira imagem só se revela quando já é tarde demais. Foi isto que aconteceu recentemente, no Brasil, com o metalúrgico analfabeto Lula da Silva que enganou o povo e conseguiu chegar ao poder para então saquear a nação. (isto é o que está sendo revelado pela operação policial conhecida como Lava Jato. 

             Como vemos, a arte tem sido usada para convencer o povo de que as desigualdades são naturais; que a guerra é a solução e que a paz nem sempre é possível. Os seres humanos, ontem como hoje, são vulneráveis à persuasão da arte. 

             A nós artistas resta a responsabilidade e a consciência de direcionar nossa arte para o bem da humanidade. 

Nicéas Romeo Zanchett 

O MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO >>Clique http://nzanchett.blogspot.com.br

 

OBRAS DE ROMEO ZANCHETT 

 

mulheres-maravilhosas.jpg O PODER DA ARTE - Por Nicéas Romeo Zanchett

 

869-2-bm-1.jpg O PODER DA ARTE - Por Nicéas Romeo Zanchett

 

niceas-romeo-zanchett-1980.jpg O PODER DA ARTE - Por Nicéas Romeo Zanchett

Nicéas Romeo Zanchett Artmajeur o poder da arte estelionato político operação lava jato

 

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